Por: Andre Souza

Dossiê da Unicamp reúne pesquisas e amplia debate sobre o fim da escala 6x1 no Brasil

Presa em flagrante pela PF por suspeita de furtar material biológico da Unicamp é professora doutora da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da instituição | Foto: Antonio Scarpinetti/Unicamp

Pesquisas produzidas por especialistas do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT), do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), colocam a organização da jornada laboral no centro do debate público. Reunidos no dossiê “Fim da escala 6x1”, os estudos analisam impactos econômicos, sociais e políticos do modelo que prevê seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso.

O conjunto de artigos reúne pesquisadores de diferentes áreas e sustenta que a discussão sobre a redução da jornada ultrapassa reivindicações trabalhistas, envolvendo saúde pública, produtividade e qualidade de vida. Um dos textos centrais, “Jornada de trabalho na escala 6x1: a insustentabilidade dos argumentos econômicos e uma agenda a favor dos trabalhadores e das trabalhadoras”, de Pietro Borsari, Ezequiela Scapini, José Dari Krein e Marcelo Manzano, questiona a ideia de que jornadas menores necessariamente elevam custos ou reduzem eficiência econômica.

Segundo os autores, experiências históricas mostram que mudanças na duração do trabalho costumam enfrentar resistência inicial, mas podem resultar em ganhos de produtividade e melhor distribuição do tempo social.

O dossiê também aborda a dimensão humana do trabalho contemporâneo. No artigo “O resgate da vida do trabalhador, subtraída pela apropriação da mais-valia capitalista”, o economista Edivaldo Ramos de Oliveira analisa como jornadas extensas reduzem o tempo disponível para convivência social, descanso e desenvolvimento pessoal.

Outro eixo da coletânea discute qualificação profissional e acesso ao conhecimento. O texto “Tempo para aprender, tempo para viver” argumenta que a redução da jornada pode ampliar oportunidades de formação contínua, permitindo adaptação às transformações tecnológicas do mercado de trabalho.

A atuação coletiva também é tema do estudo “Qual o papel dos sindicatos na luta pelo fim da escala 6x1?”, assinado por Ana Paula Colombi, Anderson Campos, Ariella S. Araujo, Andréia Galvão, Elaine Amorim, José Dari Krein e Patrícia Vieira Trópia, que analisa como novas formas de mobilização social vêm reposicionando o movimento sindical diante das mudanças nas relações de trabalho.

De forma geral, os pesquisadores defendem que a escala 6x1 representa um modelo associado à intensificação do trabalho e ao aumento do desgaste físico e mental dos trabalhadores. O dossiê busca contribuir para o debate público em um momento em que propostas legislativas sobre redução da jornada ganham espaço no Congresso Nacional.

Ao reunir diferentes perspectivas acadêmicas, a iniciativa da Unicamp pretende oferecer subsídios técnicos para discussões sobre reorganização do tempo de trabalho no país, indicando que o tema envolve não apenas direitos trabalhistas, mas também modelos de desenvolvimento econômico e bem-estar social.