Por: Andre Souza

IGP-M sobe 0,52% em março e interrompe sequência de quedas

Valores do atacado influenciaram a deflação no mês | Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) avançou 0,52% em março, após queda de 0,73% registrada em fevereiro, segundo dados divulgados na sexta-feira, 28 de março, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). Com o resultado, o indicador acumula alta de 0,19% em 2026, mas ainda apresenta recuo de 1,83% no acumulado de 12 meses.

O IGP-M é conhecido como a “inflação do aluguel” por servir de referência para reajustes de contratos imobiliários, tarifas públicas e diversos acordos comerciais. O índice acompanha a variação de preços em diferentes etapas da economia, desde matérias-primas e produção industrial até o consumo final e os custos da construção civil.

A alta registrada em março foi impulsionada principalmente pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede os preços no atacado e possui o maior peso na composição do indicador. O IPA subiu 0,61% no mês, revertendo a queda observada em fevereiro e indicando mudança no comportamento dos custos ao longo da cadeia produtiva.

Entre os fatores que mais contribuíram para o avanço estão as matérias-primas brutas, que passaram de retração para alta no período, com influência de produtos agropecuários como bovinos, leite, ovos, feijão e milho. Também houve pressão dos derivados de petróleo, refletindo incertezas no mercado internacional de energia.

No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) variou 0,30%, repetindo o resultado do mês anterior. O grupo Alimentação apresentou aceleração relevante, enquanto outros segmentos tiveram comportamento mais moderado. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,36%, impactado principalmente pelo aumento dos custos com mão de obra.

Mesmo com o resultado positivo em março, o IGP-M permanece negativo em 12 meses, refletindo o período recente de queda nos preços de commodities e no atacado. 

Para o Professor de Finanças do Ibemec Brasília, Filipe Azevedo, a alta do IGP-M em março ainda não evidência uma nova onda inflacionária mais ampla, podendo ser lida, até certo ponto, como um aumento de custos dos produtores, que, não necessariamente, será repassada ao consumidor final. "Como o IGP-M costuma antecipar tendências e o ambiente inflacionário ainda exige cautela, se esse avanço persistir nos próximos meses e começar a aparecer também nos preços ao consumidor, pode, sim, sinalizar novas pressões com impacto gradual sobre aluguéis e contratos indexados"- diz.

O indicador é calculado pelo FGV IBRE, sigla para Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas. O centro de pesquisa é responsável pela produção de indicadores econômicos, estudos conjunturais e análises macroeconômicas utilizadas por governos, empresas e instituições financeiras para monitorar a atividade econômica e a inflação no país.

A divulgação de março reforça a atenção do mercado sobre a trajetória dos preços nos próximos meses diante da volatilidade internacional das commodities e dos custos de produção. 

A próxima leitura do IGP-M será divulgada no fim de abril.