Por: Andre Souza

Déficit do governo central chega a R$ 30 bi

Ministério da Fazenda prevê IPCA de 3,6% para este ano | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal registrou um déficit primário de R$ 30 bilhões em fevereiro de 2026, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O resultado indica que as despesas do governo central superaram a arrecadação no mês, sem incluir os gastos com juros da dívida pública.

O termo governo central é um conceito contábil usado para medir o resultado fiscal da União de forma mais “pura”. Ele inclui a administração direta, fundos e programas do governo federal, mas não abrange todas as empresas estatais ou receitas e despesas de programas separados, como algumas estatais não financeiras. Essa classificação permite avaliar com mais precisão a situação das contas públicas.

O déficit primário é calculado pela diferença entre receitas e despesas do governo, descontadas apenas as transferências obrigatórias a estados e municípios. Em fevereiro, a receita líquida somou R$ 157,7 bilhões, alta de 5,6% em relação ao mesmo mês de 2025, impulsionada pelo desempenho de tributos federais, contribuições previdenciárias e repasses de receitas extraordinárias.

As despesas totais alcançaram R$ 187,7 bilhões, crescimento de 3,1% na mesma base de comparação, refletindo principalmente os gastos obrigatórios com Previdência, programas sociais e folha de pagamentos.

Este resultado representa o segundo menor déficit primário da série histórica para o mês de fevereiro, ficando abaixo do registrado em 2025, quando o rombo foi de R$ 32,8 bilhões. O dado mostra que, embora o governo ainda tenha despesas elevadas, a arrecadação conseguiu acompanhar parte do crescimento dos gastos, evitando um aumento maior do déficit.

Por que é importante controlar esses dados?

Controlar o déficit primário é essencial para manter a estabilidade fiscal, garantir o cumprimento das metas previstas em lei e evitar o crescimento descontrolado da dívida pública. Atualmente, o Brasil opera sob um "arcabouço fiscal",  que permite certa tolerância a déficits, mas a manutenção de disciplina nas despesas obrigatórias continua central para a saúde das finanças públicas.

Nos próximos meses, o acompanhamento das contas deve observar o gerenciamento de gastos com Previdência, benefícios sociais e despesas discricionárias, assim como eventuais receitas extraordinárias que possam surgir ao longo do primeiro semestre de 2026. Esses números servem para avaliar a trajetória fiscal do país e seu efeito sobre o cenário econômico mais amplo, incluindo confiança de investidores, políticas de crédito e projeções de crescimento.

Além do déficit primário, o governo também monitora a evolução da dívida pública, que influencia diretamente juros futuros e capacidade de investimento. A combinação de crescimento das receitas e controle de despesas é decisiva para reduzir o rombo ao longo do ano, mantendo o equilíbrio fiscal dentro das metas estabelecidas pelo Tesouro Nacional e pelo Ministério da Economia.