Por: Andre Souza - SP

Conta de luz segue na bandeira verde em abril

Medidas do governo buscam adiar efeitos do reajuste tarifário | Foto: Licia Rubinstein - IBGE

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) manteve a bandeira tarifária verde para abril, o que significa ausência de cobrança adicional na conta de luz. A sinalização permanece em vigor desde janeiro e reflete condições favoráveis de geração, com níveis satisfatórios dos reservatórios após o período de chuvas e menor necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que possuem custo mais elevado. A área técnica do setor elétrico, porém, prevê a possibilidade de retorno de bandeiras com cobrança extra no segundo semestre, com a chegada do período seco.

Apesar do cenário atual sem taxa extra, projeções divulgadas pela própria ANEEL indicam aumento médio de 8% nas tarifas de energia elétrica ao longo de 2026, percentual acima das estimativas de inflação. Segundo a agência reguladora, o avanço está relacionado principalmente ao crescimento de encargos e subsídios incluídos na composição das tarifas do setor elétrico.

Diante de um pro provável aumento, o governo federal estuda medidas para reduzir o impacto imediato do reajuste nas contas. Conforme apurou o Correio da Manhã, a equipe econômica e o Ministério de Minas e Energia avaliam a criação de um empréstimo entre R$ 6 e R$ 7 bilhões, possivelmente por meio do BNDES, para cobrir parte dos custos que seriam repassados de uma só vez aos consumidores. A proposta prevê diluir esses valores ao longo dos próximos anos, reduzindo o efeito imediato nas faturas.

O reajuste das tarifas é definido tecnicamente pela ANEEL, responsável por calcular e autorizar os índices aplicados pelas distribuidoras conforme regras regulatórias. As discussões que estariam em curso no governo não alteram a metodologia da agência, mas envolvem mecanismos financeiros voltados à suavização do impacto.

Medidas semelhantes já foram adotadas em diferentes períodos. No primeiro governo Dilma Rousseff (2011-2014) houve redução tarifária acompanhada de compensações financeiras posteriores ao setor elétrico, em 2013. Durante a gestão Michel Temer (2016-2018), mecanismos foram utilizados para postergar encargos e recalibrar subsídios. Já no governo Jair Bolsonaro (2019-2022), recursos de fundos setoriais e créditos extraordinários foram usados para limitar o repasse integral de custos, em 2021.

Relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) apontam que políticas com impacto tarifário no setor elétrico exigem planejamento orçamentário prévio, avaliação de custo-benefício e monitoramento permanente, para evitar efeitos fiscais prolongados. Em auditoria sobre a política tarifária, o tribunal alertou para a necessidade de uma “visão integrada das decisões do setor elétrico” e destacou que tarifas elevadas têm impacto direto no orçamento das famílias e na economia nacional.

Dados oficiais da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que os custos da energia variam significativamente entre os estados. Levantamentos baseados nas tarifas homologadas indicam que unidades da região Norte concentram os preços mais altos, com destaque para Pará, Tocantins e Acre, enquanto estados como Paraíba e Santa Catarina apresentam tarifas médias mais baixas.

Os dados constam dos relatórios tarifários oficiais da Aneel, que reúnem informações econômicas e financeiras do setor elétrico brasileiro e servem como referência regulatória nacional.