A taxa de desemprego no Brasil alcançou 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No trimestre anterior, encerrado em novembro de 2025, a taxa era de 5,2%.
O número de pessoas sem trabalho chegou a 6,2 milhões, aumento de aproximadamente 600 mil em relação ao trimestre anterior. Apesar da alta, o indicador ainda é o menor para trimestres encerrados em fevereiro desde o início da série histórica, em 2012.
A população ocupada totalizou 102,1 milhões de trabalhadores, queda de 0,8% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a 874 mil postos a menos. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve crescimento de 1,5 milhão de ocupados, mostrando que o emprego segue em nível historicamente elevado.
Setores com queda de vagas
O recuo do emprego ocorreu principalmente em saúde, educação e construção civil. Parte da redução está ligada ao fim de contratos temporários, comuns no início do ano. Na educação, contratos relacionados ao calendário escolar e administrativo terminam entre dezembro e fevereiro. Na saúde, ocorre situação semelhante, com desligamentos temporários de profissionais contratados por horas ou por programas específicos. A construção civil também apresentou retração, com queda de aproximadamente 245 mil postos de trabalho no trimestre.
Outros setores mantiveram estabilidade ou registraram pequenas variações, como comércio, indústria e serviços, que continuam respondendo por grande parte das ocupações do país.
Trabalho formal e informal
O número de trabalhadores do setor privado com carteira assinada permaneceu estável, em 39,2 milhões, representando 38% da população ocupada. Os empregados sem carteira assinada totalizaram 11,6 milhões, queda em relação ao trimestre anterior.
Os trabalhadores por conta própria chegaram a 26,1 milhões, enquanto empregadores somaram 4,2 milhões, sem mudanças. O número de empregados no setor público diminuiu, contribuindo para o aumento da taxa de desemprego.
Subutilização da força de trabalho
A taxa de subutilização, que reúne desempregados, subocupados e pessoas disponíveis para trabalhar, mas que não procuram emprego, subiu de 13,5% para 14,1%, atingindo cerca de 16,1 milhões de pessoas.
Entre os subocupados por insuficiência de horas, estavam 4,8 milhões de trabalhadores, quantidade praticamente estável frente ao trimestre anterior. Esse grupo representa pessoas que desejam trabalhar mais horas do que as que efetivamente têm.
Renda média
O rendimento médio real habitual dos trabalhadores chegou a R$ 3.679, novo recorde da série histórica da pesquisa. Houve crescimento de 2,0% em relação ao trimestre anterior e de 5,2% em relação ao mesmo período de 2025.
A maior parte do aumento ocorreu entre trabalhadores formais do setor privado, mas também houve crescimento entre autônomos com rendimentos mais estáveis.
Distribuição por sexo e idade
O desemprego entre homens subiu para 5,4%, enquanto entre mulheres chegou a 6,3%. Entre jovens de 18 a 24 anos, a taxa permanece mais alta, em 14,7%, e entre pessoas de 25 a 49 anos, ficou em 4,7%. Para os trabalhadores com 50 anos ou mais, o índice foi de 3,8%.
Padrão sazonal
O IBGE destaca que oscilações no emprego no início do ano são comuns, principalmente devido ao término de vagas temporárias abertas no final do ano anterior.
Apesar da alta recente, o mercado de trabalho mantém níveis baixos de desemprego, aumento da renda média e recuperação em relação ao mesmo período do ano anterior. A próxima divulgação da PNAD Contínua, que deverá ocorrer no mês de junho, permitirá acompanhar se as vagas temporárias serão retomadas e se o desemprego voltará a recuar ao longo de 2026.