Por: Andre Souza

Arrecadação federal soma R$ 222,1 bilhões em fevereiro e bate recorde histórico

Receita Federal rebate fake news sobre cobrança de imposto | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A arrecadação das receitas federais alcançou R$ 222,1 bilhões em fevereiro de 2026, segundo dados divulgados esta semana pelo Ministério da Fazenda. Este valor é o maior já registrado para o mês desde 1995, início da série histórica, e representa crescimento real de 5,68% em relação a fevereiro de 2025, considerando a inflação no período. Em termos nominais, houve alta de 9,71%, indicando aumento da entrada de recursos.

No acumulado do primeiro bimestre de 2026, a União arrecadou R$ 547,869 bilhões, superando os R$ 525 bilhões de 2025 no mesmo período. O crescimento real de 4,41% reforça a força das receitas federais no início do ano, contribuindo para a manutenção das metas fiscais previstas pelo governo.

Entre os principais impulsionadores do resultado estão as contribuições previdenciárias, que financiam a aposentadoria e a assistência social, e tributos ligados ao consumo e operações financeiras. O PIS/Cofins, tributo cobrado sobre a produção e circulação de bens e serviços, cresceu devido ao bom desempenho dos setores de comércio e serviços. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de capital também avançou, influenciado pelo aumento de juros, e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) registrou elevação, impulsionado por mudanças na legislação que aumentaram a cobrança em certas operações.

Os valores arrecadados  são usados para sustentar a chamada "máquina pública", que incluem os gastos do governo, como saúde, educação, infraestrutura e pagamento de servidores. Além disso, ajudam a garantir que o governo tenha recursos para cumprir obrigações fiscais e programas sociais.

A Receita Federal destacou que o crescimento reflete tanto o aumento da atividade econômica quanto a eficiência na cobrança dos tributos. Apesar do avanço, o órgão alerta que a arrecadação ainda depende da evolução do mercado interno e de fatores externos, como o câmbio e o comércio internacional. A Receita detalhou ainda que o resultado "não representa aumento automático de gastos, mas fortalece a capacidade do governo de planejar investimentos e manter o equilíbrio fiscal".

O levantamento de fevereiro mostra que o maior impulso veio do setor de serviços e comércio, seguido por rendimentos financeiros. O bom desempenho das contribuições previdenciárias, que incluem pagamentos obrigatórios de empresas e trabalhadores, demonstra que o mercado formal de trabalho também continua estável.

A Receita reforçou que continuará monitorando a arrecadação mensal para ajustar projeções e apoiar decisões de política fiscal. Os dados do mês de março serão divulgados no final de abril.

Orçamento de 2026

A arrecadação até fevereiro  representa aproximadamente 3,4% do orçamento federal previsto para o ano. A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 fixa a receita e as despesas do governo federal neste ano em R$ 6,54 trilhões, incluindo todos os gastos previstos para os poderes, ministérios, fundos e programas sociais, além do refinanciamento da dívida pública. Deste total, cerca de R$ 1,8 trilhão será destinado ao pagamento e refinanciamento da dívida, deixando aproximadamente R$ 4,7 trilhões para despesas fiscais, de seguridade social e investimentos no país, como saúde, educação e assistência social.

O orçamento também prevê um superávit primário de cerca de R$ 34,2 bilhões, ou seja, que as receitas sejam maiores que as despesas obrigatórias, indicando equilíbrio nas contas públicas conforme as metas fiscais definidas na legislação. A LOA 2026 inclui ainda aproximadamente R$ 61 bilhões em emendas parlamentares, destinadas a projetos e ações específicos indicados por deputados e senadores.