O Procon-SP divulgou nesta semana pesquisa sobre o custo do crédito, que mostra que a taxa média de juros do empréstimo pessoal atingiu 160,2% ao ano em março de 2026. O levantamento, realizado com seis dos principais bancos do país, evidencia o alto custo do crédito para pessoas físicas e reforça os riscos de endividamento.
O estudo indicou que a taxa média mensal do empréstimo pessoal ficou em 8,30%, considerando contratos de 12 meses para clientes não preferenciais. Embora represente uma leve queda em relação ao mês anterior, o patamar continua elevado. Entre os bancos avaliados — Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú, Safra e Santander —, apenas o Bradesco apresentou redução relevante na taxa mensal.
“Essa pesquisa já é tradicional no Procon-SP, pois acreditamos que informar é empoderar. Ao apresentarmos as taxas de referências de mercado, permitimos que o cidadão possa fazer melhor as suas escolhas ao contratar um crédito”, destaca a diretora de Estudos e Pesquisas do Procon-SP, Elaine da Cruz.
O órgão recomenda que empréstimos pessoais sejam usados apenas em situações emergenciais ou para substituir dívidas mais caras. "É essencial avaliar o custo efetivo total, incluindo tarifas e encargos, e considerar alternativas como o crédito consignado ou linhas vinculadas a convênios" completa a diretora.
Empréstimo pessoal x consignado x cheque especial
O relatório técnico evidencia grande disparidade entre as modalidades de crédito. Enquanto o empréstimo pessoal supera 8% ao mês, o crédito consignado apresenta taxas médias entre 1,8% e pouco mais de 5% ao mês, dependendo do perfil do tomador, como aposentados do INSS, servidores públicos ou trabalhadores da iniciativa privada. Aposentados e servidores têm acesso às menores taxas devido ao menor risco de inadimplência, enquanto trabalhadores do setor privado enfrentam juros mais altos.
O levantamento também aponta que a diferença entre bancos pode ultrapassar 100% em algumas modalidades, reforçando a importância de comparar taxas antes de contratar. O Procon-SP alerta que "muitos consumidores não avaliam alternativas mais baratas, aumentando o risco de superendividamento".
No cheque especial, a taxa média permaneceu em 8% ao mês, equivalente a 151,8% ao ano, dentro do limite definido pelo Banco Central desde 2020, mas ainda considerada alta frente a outras linhas de crédito - cita o levantamento.