Por: Andre Souza

Consumo das famílias cresce em fevereiro, aponta ABRAS

Custo médio da cesta na capital paulista é de R$ 842,26 | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Monitoramento da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) divulgado nesta quinta-feira (19) mostra que o consumo das famílias brasileiras avançou 1,95% em fevereiro de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Apesar do crescimento anual, o indicador registrou queda de 3,8% frente a janeiro, influenciado pelo efeito calendário, já que fevereiro teve menos dias e um sábado a menos, reduzindo o fluxo de consumidores nas lojas.

No acumulado do primeiro bimestre, o consumo nos lares apresenta alta de 1,76%. Os dados são ajustados pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e contemplam o desempenho de todos os formatos de supermercados do país, funcionando como um termômetro do consumo cotidiano das famílias.

Segundo a ABRAS, o desempenho segue sustentado pela resiliência do mercado de trabalho. No trimestre encerrado em janeiro, a taxa de desemprego ficou 1,1 ponto percentual abaixo da observada no mesmo período de 2025, contribuindo para a manutenção da renda e do poder de compra mesmo em um ambiente de crédito mais restritivo.

Além da renda do trabalho, transferências públicas reforçaram o orçamento doméstico. Em fevereiro, o Bolsa Família destinou R$ 13 bilhões a 18,84 milhões de famílias, enquanto o programa Gás para Todos somou R$ 449 milhões. As Requisições de Pequeno Valor (RPVs) do INSS totalizaram R$ 1,8 bilhão, somadas ainda aos R$ 2,5 bilhões do primeiro lote do PIS/Pasep e cerca de R$ 579 milhões em restituições do Imposto de Renda.

Mesmo com o avanço anual, o consumo segue moderado no início do ano, refletindo maior cautela das famílias nas decisões de compra. “Com a aproximação da Páscoa, há uma tendência de aceleração do consumo no curto prazo, impulsionada por produtos típicos da data, o que eleva o volume nas lojas, mesmo com o consumidor mantendo um comportamento mais seletivo na hora de compor a cesta de abastecimento dos lares”, afirma o vice-presidente da ABRAS, Marcio Milan.

Cesta de 35 produtos

Sobre os preços, o indicador Abrasmercado — que acompanha uma cesta de 35 produtos de largo consumo — registrou alta de 0,47% em fevereiro, elevando o valor médio nacional para R$ 802,88. O resultado revela comportamento heterogêneo dos preços nos supermercados.

Itens básicos como óleo de soja (-2,62%), arroz (-2,36%), café (-1,20%), açúcar refinado (-0,90%), farinha de trigo (-0,86%) e macarrão (-0,42%) apresentaram queda e ajudaram a conter pressões inflacionárias mais fortes. Em contrapartida, produtos essenciais registraram aumentos relevantes, com destaque para o feijão (+11,73%), ovos (+4,55%) e carne bovina do traseiro (+1,30%). O leite longa vida também voltou a subir (+1,24%), interrompendo sequência de quedas observada nos meses anteriores.

Segundo a ABRAS, a alta das carnes está associada à mudança do ciclo pecuário em 2026, marcada por menor volume de abate e demanda externa aquecida. Entre os alimentos in natura, tomate (+0,30%) e batata (+1,00%) avançaram, enquanto a cebola recuou 2,52% no mês.

A análise regional mostra comportamento desigual dos preços. O Sudeste registrou alta de 0,46% no valor da cesta, seguido pelo Nordeste (+0,47%) e Norte (+0,22%). Já Sul (-0,17%) e Centro-Oeste (-0,14%) apresentaram leve recuo, refletindo diferenças locais de oferta e demanda.

Para a entidade, o cenário aponta "continuidade do crescimento do consumo ao longo de 2026, ainda que em ritmo gradual, com consumidores mais atentos aos preços e priorizando itens essenciais no orçamento doméstico".

Os 35 itens monitorados pelo indicador Abrasmercado incluem alimentos básicos, proteínas, produtos de higiene pessoal e itens de limpeza doméstica que compõem o consumo cotidiano das famílias brasileiras. Entre eles estão arroz, feijão, óleo de soja, açúcar, café, farinha de trigo, macarrão, leite longa vida, carnes bovina, suína e de frango, ovos, queijos, além de hortifrutis como tomate, batata e cebola. A cesta também considera produtos de uso diário, como papel higiênico, sabonete, creme dental, xampu, detergente líquido, desinfetante e água sanitária, permitindo acompanhar de forma ampla a evolução dos preços no varejo alimentar.