Por: Andre Souza

Juros do empréstimo consignado podem variar até 100% entre bancos, aponta Procon-SP

Cinco de cada 10 aposentados precisaram do consignado | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Levantamento do Procon-SP identificou uma diferença superior a 100% nas taxas de juros cobradas em contratos do Programa Crédito do Trabalhador e no empréstimo consignado destinado a funcionários de empresas privadas. A pesquisa quadrimestral, divulgada em março, analisou seis das principais instituições financeiras que atuam no Estado de São Paulo.

O empréstimo consignado é uma modalidade de crédito em que as parcelas são descontadas diretamente do salário ou benefício do contratante. Criado inicialmente para servidores públicos, devido à maior estabilidade de renda, o modelo foi ampliado nos últimos anos para aposentados do INSS e trabalhadores da iniciativa privada, o que ajuda a explicar diferenças nas taxas cobradas entre os perfis de clientes.

De acordo com o Procon-SP, nos contratos do Crédito do Trabalhador com prazo de 12 meses, a menor taxa encontrada foi de 3,19% ao mês, enquanto a maior chegou a 6,61% mensais. A variação demonstra que o custo do crédito pode mudar conforme o banco escolhido.

No consignado voltado a trabalhadores da iniciativa privada, o cenário é semelhante. Para contratos de 12 meses, os juros variaram entre 3,19% e 7,11% ao mês. Já nos contratos com prazo de 48 meses, as taxas oscilaram entre 3,19% e 6,91% mensais, mantendo diferença superior a 100% entre as instituições analisadas.

O levantamento avaliou contratos de consignado com prazos de 12 e 48 meses nas modalidades destinadas a servidores públicos estaduais, municipais e federais, aposentados do INSS, funcionários de empresas privadas e participantes do Programa Crédito do Trabalhador. As taxas consideradas foram as praticadas em 10 de fevereiro.

Nos contratos de 12 meses, a menor taxa média foi observada para aposentados do INSS e servidores públicos federais, ambas em 1,84% ao mês. A maior média ficou com trabalhadores de empresas privadas, em 5,23% mensais. Já nos contratos de 48 meses, a taxa média mais baixa foi a dos servidores federais, de 1,78% ao mês, enquanto a mais elevada novamente apareceu entre funcionários da iniciativa privada, com média de 4,85%.

Na comparação com outubro de 2025, houve aumento das taxas médias para trabalhadores do setor privado e no Crédito do Trabalhador, enquanto servidores federais e estaduais registraram leve queda. As taxas para aposentados do INSS permaneceram estáveis.

O Procon-SP recomenda que os consumidores pesquisem condições entre bancos, utilize canais oficiais e desconfie de ofertas recebidas por telefone ou redes sociais.