A Raízen, parceria comercial entre Shell e Cosan, entrou na madrugada desta quarta-feira (11) com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas. A medida faz parte de um plano para reorganizar as finanças da empresa e reduzir o endividamento após um período de resultados pressionados.
Com atuação integrada nos setores de energia e varejo, combinando produção agrícola, biocombustíveis e distribuição de combustíveis, a Raízen opera 35 usinas de açúcar, etanol e bioenergia, mantém uma rede com mais de 8 mil postos Shell na América do Sul, 68 bases de abastecimentos de aeroportos e soma 615 mercados OXXO no Brasil, estratégia que amplia sua presença no varejo e conecta toda a cadeia, da produção ao consumidor final.
Segundo a companhia, credores que representam aproximadamente 40% das dívidas já apoiam a proposta. Para que o acordo seja validado pela Justiça, é necessário o aval da maioria dos credores, que concentram mais da metade dos valores envolvidos.
O pedido inclui apenas dívidas financeiras. Pagamentos do dia a dia — como salários, fornecedores e parceiros comerciais — continuam sendo feitos normalmente, sem impacto nas operações.
Prazo para negociar
Com o processo, a Raízen ganha um prazo de até 90 dias de proteção judicial para negociar novas condições com bancos e investidores. Na prática, esse período dá fôlego para a empresa reorganizar os pagamentos sem a pressão imediata das cobranças.
Entre os credores estão grandes bancos e investidores que compraram títulos da empresa no Brasil e no exterior. As negociações já avançaram com os principais grupos, mas ainda seguem com outros credores, o que torna o processo mais complexo.
Situação financeira
No fim de dezembro, a companhia tinha cerca de R$ 17,3 bilhões em caixa. Mesmo assim, o alto nível de endividamento, somado aos juros elevados, acabou pressionando as contas e levou a empresa a buscar uma renegociação ampla.
A dívida inclui títulos internacionais, empréstimos bancários e papéis emitidos no mercado brasileiro, distribuídos entre diversas instituições financeiras e investidores.
A recuperação extrajudicial é considerada uma alternativa mais simples do que a recuperação judicial tradicional, pois permite renegociar débitos sem interromper as atividades da empresa.
Possíveis medidas
Além da renegociação, os acionistas avaliam reforçar o caixa da companhia. Entre as possibilidades está um aporte de cerca de R$ 4 bilhões, com participação da Shell (sócia majoritária da empresa com 50% de participação) e do empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan, dono de 15,35% da companhia.
A venda de alguns ativos, inclusive operações fora do país, também está em análise para ajudar a reduzir o endividamento.
Reestruturação de grande porte
Pelo tamanho da dívida, o processo da Raízen é considerado uma das maiores reestruturações empresariais já realizadas no Brasil. A expectativa do mercado é que a empresa consiga fechar um acordo antes do início da nova safra de cana-de-açúcar, período em que as operações exigem maior volume de recursos.