Por: Martha Imenes

Mulheres impulsionam carreiras de outras mulheres

Mulheres impulsionam carreiras de outras mulheres | Foto: Arquivo divulgação / Freepik

Uma pesquisa realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados em parceria com a Todas Group revela que as mulheres são as principais responsáveis por promover o crescimento profissional de outras mulheres. Quatro em cada dez entrevistadas (41%) afirmaram ter recebido apoio preferencialmente feminino para ascender em suas carreiras.

O levantamento ouviu 1.534 mulheres em cargos de liderança em todo o país. Apenas 14% disseram ter sido apoiadas principalmente por homens, enquanto 29% relataram ter recebido ajuda tanto de homens quanto de mulheres. Outras 13% afirmaram não ter recebido apoio relevante e 3% não souberam distinguir.

A percepção varia conforme a faixa etária e o setor de atuação. Entre mulheres de 25 a 40 anos, 48% destacaram que foram impulsionadas por outras mulheres. O índice é ainda maior em áreas como marketing, publicidade e comunicação (56%) e educação e treinamento corporativo (53%).

Já entre aquelas que afirmaram ter recebido apoio principalmente de homens, os percentuais são mais elevados em cargos de presidente, vice-presidente, CEO ou sócia (20%) e diretoras ou líderes de área (18%). A faixa etária de 41 a 59 anos também apresentou maior média de apoio masculino (18%).

“Não adianta nós mulheres estarmos preparadas se não houver uma rede robusta por trás que nos ajude a crescer”, destacou Simone Murata, CEO da Todas Group. Para ela, o estudo reforça o papel das mulheres na ascensão de outras. “Quando uma cresce, todas crescem. Essa é a força da mulher”, afirmou.

Renúncias para crescer na carreira

O levantamento também investigou os sacrifícios feitos pelas mulheres para alcançar posições de liderança. Três em cada quatro (74%) disseram ter aberto mão do autocuidado, incluindo saúde física e hobbies. O tempo com a família e a saúde mental aparecem empatados em segundo lugar, ambos citados por 53%.

Outros aspectos sacrificados foram o lazer (37%) e a maternidade ou o desejo de ter filhos (25%). “Quando a gente se coloca na lista de prioridades, fica lá embaixo. Não abro mão dos meus filhos, das entregas do trabalho, de cuidar dos amigos. Mas o autocuidado acaba ficando de lado”, analisou Simone.

Dados do Ministério da Saúde reforçam o impacto dessa sobrecarga: os atendimentos relacionados à Síndrome de Burnout aumentaram 54% entre mulheres em 2023 no SUS, em comparação a 2024, superando os casos entre homens.

Diferenças geracionais

As renúncias variam conforme a idade. Entre jovens de 18 a 24 anos, as maiores perdas foram na vida social e lazer (50%) e em relacionamentos afetivos (32%). Já na faixa de 25 a 40 anos, 58% destacaram a saúde mental como principal sacrifício. Entre as mais velhas, o tempo com a família foi apontado por 60%.

Simone avalia que essas diferenças refletem mudanças no mercado de trabalho e na participação feminina em cargos de liderança. “Há 20 anos, se exigia ainda mais da mulher. Ela tinha que se provar muito mais. As concessões que essa mulher, que hoje tem 50 anos, fez são superiores às da geração que está entrando agora”, afirmou.

Para ela, o avanço feminino reduz a necessidade de “se provar o tempo inteiro”. “A ascensão precisa ser equilibrada para que o trabalho seja sempre o nosso motor de prazer”, concluiu.

Redes de apoio e impulso coletivo

O estudo também mostra que iniciativas coletivas têm papel fundamental na ascensão feminina. Denise Hamano, 43 anos, que trabalhou por mais de 15 anos na área de tecnologia, hoje é uma das líderes da rede de varejo Magalu. Ao lado de Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração da companhia, criou uma comunidade de mulheres de negócio dentro do grupo.

A rede reúne mais de 3 mil empreendedoras e lojistas da Magalu, que se apoiam para impulsionar seus negócios. “Elas dão dicas umas às outras de como vender mais. Temos um programa de mentoria em que as próprias integrantes se inscrevem para serem mentoras ou mentoradas, totalmente de graça”, explicou Denise.

Uma pesquisa interna revelou que a principal dificuldade das participantes é a tripla jornada: conciliar casa, filhos, parentes e o próprio negócio. “O descanso, o autocuidado e até o aperfeiçoamento profissional acabam ficando em segundo plano”, relatou.

Com informações da Agência Brasil