Por: POR MARTHA IMENES

CORREIO ECONÔMICO | Dia da Mulher: autonomia financeira é prioridade

Mulheres na mesma função ganham menos que homens | Foto: Freepik

Ter independência financeira para decidir sobre a própria vida é o principal objetivo das mulheres entrevistadas pela pesquisa Mulheres e Mercado de Trabalho, realizada pela Consultoria Maya com base no cadastro da plataforma de educação corporativa Koru.

O levantamento, que ouviu 180 mulheres de diferentes faixas etárias e etnorraciais (exceto indígenas), revela que o mundo do trabalho continua desigual e marcado por práticas discriminatórias e violentas. Segundo os dados, 37,3% apontaram a autonomia financeira como prioridade. Em seguida, aparecem saúde mental, física e realização profissional (31%). Já a vida amorosa não é meta para a maioria: menos de uma em cada dez mulheres mencionou esse objetivo.

 

Comprometimento

"É preciso ter um olhar diferente para essas questões. Isso parte de ações individuais e institucionais, do estagiário ao CEO", afirma e conclui: "Em 2026, ter esses resultados é chocante. Precisamos de atitudes concretas para que autonomia e igualdade deixem de ser apenas metas e se tornem realidade".

Barreiras

A maioria das entrevistadas ocupa funções operacionais ou intermediárias. Apenas 5,6% chegaram a postos de diretoria ou cargos de alto escalão. "A presença feminina diminui drasticamente à medida que os cargos se tornam mais estratégicos, revelando uma estrutura sexista por trás desse resultado", diz Paola.

Relacionamento não é prioridade

"Estamos falando de ter salário, rendimento e poder de decisão, não apenas de poder de compra", explicou Paola Carvalho, diretora da Consultoria Maya.

Para a diretora, a autonomia permite que a mulher saia de relacionamentos abusivos ou ofereça melhores condições de vida à família. "Autonomia financeira é condição para liberdade de escolha (de parceiro e de sair de relacionamentos abusivos)", reforçou Paola.

Violência psicológica recorrente

A violência psicológica é recorrente: sete em cada dez entrevistadas afirmaram já ter sofrido comentários sexistas, ofensas à aparência, interrupções em reuniões, apropriação de ideias e dúvidas sobre sua capacidade técnica. "Meu coordenador me ofereceu um cargo acima do que eu estava e, quando aceitei, por três vezes ele me chamou para perguntar se eu achava que conseguiria".

Desistência

Essas situações levaram muitas mulheres a pensar em desistir do trabalho. Mesmo quando permanecem no ambiente laboral após comentários sexistas, entre outros, o estudo conclui que sua trajetória ocorre "apesar das adversidades, e não pelas condições plenamente equitativas".

Estrutural

O relatório Panorama de Gênero 2025 da ONU Mulheres e dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que 708 milhçoes de mulheres estão fora da economia global por sobrecarga de trabalho e cuidados familiares. Esta desigualdade estrutural impede que quase metade das mulheres em idade ativa esteja no mercado.

Exclusão

O trabalho doméstico e de cuidados (cuidar de filhos, idosos, doentes) é o fator principal, que mantém mulheres indisponíveis ou impedidas de procurar emprego. Especialistas apontam que a falta de infraestrutura de apoio e políticas públicas de cuidado perpetua essa exclusão de mulheres do trabalho.

Pressão maior

A tendência é que a demanda por cuidados cresça devido ao envelhecimento populacional, o que aumentará a pressão sobre as mulheres. De acordo com a OIT, a situação mostra urgência de investimentos em políticas de cuidados para aumentar a igualdade de gênero e a participação feminina na economia.

Discriminação no trabalho

Apesar da busca por independência, muitas mulheres relatam obstáculos culturais e estruturais para avançar na carreira. Entre os problemas mais citados estão discriminação e violência psicológica.

Do total, 2,3% disseram ter sido preteridas em promoções, geralmente por causa da maternidade. "Primeiro vêm os homens, depois mulheres sem filhos e, por último, mães", relatou uma participante. Outra destacou: "Vejo predileção em promover mulheres que não têm filhos em vez de mães".