A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, marcando o quinto ano consecutivo de expansão, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi impulsionado principalmente pela agropecuária, que registrou alta de 11,7%, enquanto os serviços avançaram 1,8% e a indústria 1,4%.
Em valores correntes, o Produto Interno Bruto (PIB) somou R$ 12,7 trilhões. O PIB per capita, que divide o valor total pela população, chegou a R$ 59.687, com crescimento real de 1,9% em relação a 2024.
Agropecuária em destaque
O desempenho do campo foi decisivo para o resultado. A produção de milho (23,6%) e soja (14,6%) bateu recordes, elevando a produtividade e garantindo peso de 32,8% no crescimento do PIB.
Na indústria, o destaque foi a extração de petróleo e gás, que cresceu 8,6%. Já a construção civil ficou praticamente estável, com alta de apenas 0,5%.
O setor de serviços também mostrou aquecimento, com crescimento em todas as áreas: informação e comunicação (6,5%), atividades financeiras e de seguros (2,9%), transporte e armazenagem (2,1%), além de comércio e atividades imobiliárias.
Somadas, agropecuária, indústria extrativa, serviços diversos e informação e comunicação responderam por 72% da expansão da economia em 2025.
Consumo e investimentos
Do lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,3%, impulsionado pelo mercado de trabalho, crédito e programas de transferência de renda. O resultado, porém, foi bem menor que o avanço de 5,1% em 2024, reflexo da política de juros altos.
O consumo do governo subiu 2,1%, enquanto os investimentos avançaram 2,9%, puxados pela importação de máquinas, softwares e pela construção. A taxa de investimento ficou em 16,8% do PIB, praticamente estável em relação ao ano anterior.
"O consumo das famílias estagnado no segundo semestre mostra um comportamento um pouco mais fraco da demanda doméstica. Formação Bruta em queda, também corrobora o diagnóstico", avalia Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.
Já o economista da Genial Investimentos, Yihao Lin, avalia que o resultado trimestral do PIB veio em linha com as projeções, "apesar de alguns pontos em relação à sua composição terem chamado a atenção, sugerindo um maior impacto dos efeitos adversos da política monetária sobre os setores mais sensíveis ao ciclo econômico".
"Embora o crescimento anual de 2,3% em 2025 seja positivo, o encerramento do ano aponta para uma absorção doméstica privada mais fragilizada", avalia o economista.
Último trimestre e efeito dos juros
No quarto trimestre, o PIB ficou praticamente estável, com alta de apenas 0,1% sobre o trimestre anterior. Os serviços cresceram 0,8% e a agropecuária 0,5%, mas a indústria recuou 0,7%.
Segundo o IBGE, a desaceleração foi causada pelo aperto monetário. O Banco Central elevou a taxa Selic de 10,5% em setembro de 2024 para 15% em junho de 2025, mantendo-a nesse patamar. A medida buscou conter a inflação, que ficou fora da meta durante 13 meses seguidos.
Com juros altos, o crédito ficou mais caro, reduzindo consumo e investimentos. Apesar disso, o ano terminou com a menor taxa de desemprego já registrada, mostrando que o mercado de trabalho resistiu ao desaquecimento.
Para Pablo Spyer, economista e conselheiro da Ancord, o resultado reflete os efeitos cumulativos da política monetária restritiva. "O aperto de juros ao longo de 2024 e 2025 foi se transmitindo com as defasagens usuais, esfriando o consumo, os investimentos e parte da atividade industrial", pontua.
Setores que impactaram o PIB em 5 anos
- 2021 (4,8%): retomada pós-pandemia, serviços e indústria em destaque.
- 2022 (3%): serviços lideraram, agro recuou.
- 2023 (3,2%): agropecuária foi o motor principal.
- 2024 (3,4%): consumo das famílias e serviços puxaram a alta, agro caiu.
- 2025 (2,3%): agropecuária voltou a liderar, com recordes de produção.
Importância do levantamento
O PIB mede o valor de todos os bens e serviços finais produzidos em um país em determinado período. É usado para avaliar o desempenho da economia e comparar resultados internacionais. No entanto, não reflete diretamente a distribuição de renda ou a qualidade de vida da população.
Assim, um país pode ter PIB elevado e desigualdade social significativa, ou PIB menor e alto padrão de vida.