Por: Martha Imenes

Relatório do IFI aponta desafios para as contas públicas

Como órgão técnico dentro do Senado Federal desde 2016, o IFI trabalha de forma autônoma | Foto: Rafael Lima

O Instituto Fiscal Independente (IFI), ligado ao Senado, divulgou o Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 109, com uma radiografia das contas públicas brasileiras e os principais desafios para 2026. O documento aponta o que os brasileiros sentem no dia a dia: a taxa de juros alta (Selic) - atualmente em 15% ao ano - tem impacto direto no crescimento do país.

O documento destaca pontos críticos que afetam diretamente o cotidiano dos brasileiros, em especial a taxa Selic elevada (15% ao ano), que limita o crescimento econômico e aumenta o custo da dívida pública.

"O Brasil enfrenta uma combinação de juros altos e dívida crescente, o que restringe a capacidade de investimento público e privado. A política fiscal precisa ser consistente para reduzir a percepção de risco e permitir a queda sustentável da Selic", aponta Marcus Vinícius Caetano Pestana da Silva, diretor-executivo da IFI.

O documento mostra que o governo pretende manter estável, por enquanto, a emissão de títulos pós-fixados, mas reduzir gradualmente esse tipo de papel até 2035. O problema são os juros altos e o risco elevado, que têm dificultado a emissão de títulos prefixados e atrelados à inflação.

Outro ponto de atenção, aponta o documento, é a concentração de vencimentos das Letras Financeiras do Tesouro (LFT) em 2027 e 2028. Segundo o IFI, isso pode virar uma oportunidade para o Tesouro Nacional — desde que os juros caiam de forma consistente.

Nos estados, a situação piorou em 2025. O resultado primário, que mede a diferença entre receitas e despesas sem contar os juros da dívida, caiu para apenas 0,04% do PIB, reflexo de gastos crescendo mais rápido que a arrecadação.

Queda na receita

O relatório também aponta que a queda nas receitas mostra um enfraquecimento da economia, afetando impostos e transferências da União. Já as despesas continuam subindo, o que pode dificultar a volta de superávits sem mudanças na política fiscal.

Durante a aprovação do Orçamento de 2026, foi incluído um aumento de R$ 14 bilhões na arrecadação do imposto de importação. Em fevereiro, uma resolução elevou tarifas sobre bens de capital e de informática e telecomunicações.

A medida busca estimular a produção nacional e reduzir importações. Especialistas, porém, alertam que ainda há dúvidas sobre a eficácia dessa estratégia. O efeito imediato é claro: mais dinheiro entrando nos cofres públicos.

Principais pontos

- Crescimento econômico limitado: projeção de apenas 1,7% em 2026.

- Inflação controlada: IPCA estimado em 3,9% para o ano.

- Selic elevada: 12% no fim de 2026, mas ainda com juros reais de 7%.

- Dívida pública: deve alcançar 82,7% do PIB em 2026, com tendência de alta.

- Resultado fiscal: déficit nominal de -8,6% do PIB, refletindo dificuldade em equilibrar receitas e despesas.

Para saber mais

Conhecido como IFI, o Instituto Fiscal Independente, visa oferecer informações claras e imparciais para ajudar parlamentares e a sociedade a entender melhor a política econômica brasileira. Com isso, contribui para dar mais credibilidade às contas públicas e melhorar o debate sobre economia no país.

A importância do IFI está justamente em sua capacidade de fortalecer a transparência e a responsabilidade fiscal, funcionando como um contraponto técnico às projeções oficiais do governo.