Por: Martha Imenes

Pequenas e microempresas iniciam 2026 em crescimento, mas ritmo desacelera

Comércio teve queda de 4,4%, após alta no mês anterior, com recuos no atacado e no varejo | Foto: Marilia Pierre/Prefeitura de Americana

O faturamento das pequenas e médias empresas brasileiras começou o ano em alta, mas com sinais de perda de fôlego. De acordo com o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs), a movimentação financeira média real avançou 1,3% em janeiro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

O resultado marca o oitavo mês consecutivo de crescimento, mas representa uma desaceleração frente ao desempenho mais robusto do quarto trimestre de 2025, quando o índice havia registrado alta de 6,4%.

O mercado de PMEs tem mostrado correlação com a confiança dos consumidores. Em janeiro, o Índice de Confiança do Consumidor da FGV registrou o primeiro recuo em cinco meses, coincidindo com a desaceleração do IODE-PMEs. Esse movimento reforça a vulnerabilidade das pequenas e médias empresas às oscilações de renda e expectativas econômicas.
Soma-se a isso o fator eleitoral:

"Eleições e contexto geopolítico tendem a trazer instabilidade, mas empresas de pequeno e médio porte mais estruturadas puxam o desempenho para cima", avalia Felipe Beraldi, economista da Omie e responsável pelo IODE-PMEs.

Desempenho

- Indústria: crescimento de 3,3%, com destaque para confecção de vestuário e máquinas e equipamentos.

- Infraestrutura: avanço expressivo de 7,8%, embora segmentos ligados à construção civil ainda enfrentem retração.

- Comércio: queda de 4,4%, após alta no mês anterior, com recuos tanto no atacado quanto no varejo.

- Serviços: retração de 2,2%, interrompendo sete meses de crescimento, mas com segmentos como alojamento, alimentação e saúde sustentando parte do resultado.

Perspectivas

Apesar da desaceleração inicial, os fundamentos econômicos seguem favoráveis:

- Desemprego em patamares historicamente baixos.

- Expectativas inflacionárias em queda

- Possibilidade de início de um ciclo de cortes de juros pelo Banco Central ainda no primeiro trimestre.

Especialista, no entanto, avalia que o ano deve ser positivo para o setor, mas exigirá  cautela dos empresários, diante de um ambiente de negócios marcado por incertezas internas e externas.

O calendário eleitoral, por exemplo, tende a gerar maior prudência mas não deve provocar retrações expressivas na atividade econômica.