Um estudo da ARC4, fintech especializada em recuperação de crédito, revela que a renegociação de dívidas vem se consolidando como ferramenta importante para reorganização financeira no Brasil. Apesar disso, o país ainda enfrenta um cenário persistente de reincidência do endividamento entre pessoas físicas.
Segundo o levantamento, 60% das dívidas em atraso estão ligadas ao uso do cartão de crédito, seguido por renegociações anteriores, empréstimos pessoais e cheque especial. A média é de 1,32 dívidas por CPF, com valor médio de R$ 3.814 por pessoa, evidenciando a sobreposição de débitos como fator relevante para a inadimplência.
“O cartão de crédito costuma ser a primeira alternativa quando o orçamento aperta. Diante da queda de renda ou de um gasto inesperado, a dívida pode rapidamente sair do controle. É nesse momento que uma renegociação bem estruturada faz a diferença”, afirma Vivian Nobre, diretora-executiva da ARC4.
A pesquisa mostra que 73% dos entrevistados renegociaram dívidas duas ou mais vezes nos últimos cinco anos. Mesmo assim, 59% ainda mantêm algum débito em aberto.
As compras parceladas respondem por 45% dos casos de endividamento. A perda de renda aparece como principal fator da inadimplência (37%), seguida por imprevistos como problemas de saúde ou acidentes (26%).
Para 55% dos consumidores, o desconto oferecido é decisivo na hora de aceitar uma proposta de renegociação. Já os juros elevados afastam parte dos devedores. Quase metade (47%) afirma negociar em feirões de renegociação, promovidos por birôs de crédito e plataformas especializadas.
Os efeitos da renegociação vão além do orçamento. Após fechar acordos, 43% dos entrevistados dizem planejar melhor as contas, enquanto 29% relatam melhora na qualidade do sono e redução da ansiedade. Ainda assim, 60% afirmam que a prioridade após renegociar é quitar outras dívidas pendentes.
O estudo também mostra que cerca de 80% dos respondentes se consideram mais preparados para lidar com o crédito após a experiência da inadimplência.
O levantamento analisou uma base de 4 milhões de CPFs e incluiu entrevistas qualitativas com 200 clientes da ARC4. A pesquisa foi realizada entre dezembro e janeiro.