Os juros médios cobrados por bancos e instituições financeiras voltaram a subir em janeiro, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC). O movimento acompanha a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006, e reflete diretamente no custo do crédito para famílias e empresas.
A taxa média de juros para consumidores chegou a 61% ao ano, alta de 0,9 ponto percentual (p.p.) no mês e de 6,7 p.p. em 12 meses. O destaque foi o cartão de crédito parcelado, que alcançou 194,9% ao ano. No crédito rotativo, apesar da queda de 13,7 p.p. em janeiro, os juros seguem os mais altos do mercado: 424,5% ao ano.
Outras modalidades também registraram aumento, segundo levantamento do Banco Central: crédito pessoal não consignado (1,5 p.p.), financiamento de veículos (1,3 p.p.) e crédito consignado para trabalhadores do setor privado (1,2 p.p.).
Já a taxa média de juros para companhias ficou em 25,2% ao ano, com alta de 1,6 p.p. no mês e 1,1 p.p. em 12 meses.
Entre os principais impulsionadores do resultado estão o capital de giro de longo prazo (1,8 p.p.), o cheque especial ( 25,9 p.p.) e o cartão rotativo empresarial ( 63,9 p.p.).
Para pessoas físicas, os juros permaneceram estáveis em 11,2% ao ano, com leve recuo de 0,1 p.p. em 12 meses.
Para empresas, houve alta de 0,8 p.p. no mês, mas queda de 0,7 p.p. em um ano, resultando em 13% ao ano.
Impacto
Considerando crédito livre e direcionado, a taxa média das novas contratações atingiu 32,8% ao ano em janeiro, avanço de 0,7 p.p. no mês e 2,9 p.p. em 12 meses. O spread bancário — diferença entre o custo de captação e os juros cobrados — chegou a 21,9 p.p., ampliando a margem de lucro das instituições financeiras.
O cenário reforça o impacto da política monetária do BC: juros mais altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e ajudam a conter a inflação.