O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que sua saída do governo dependerá da possível viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos para reunião com o presidente americano, Donald Trump. O encontro está previsto para ocorrer entre os dias 15 e 20 de março, mas ainda não há confirmação oficial.
Haddad informou que se reunirá com Lula para definir se integrará a comitiva presidencial. "Se eu for viajar, a data de saída é uma, se não for, é outra", declarou o ministro, após retornar de compromissos na Índia e na Coreia do Sul.
Desde o fim de 2025, Haddad manifesta intenção de deixar a pasta para colaborar com a campanha de reeleição de Lula. Inicialmente cogitada para fevereiro, a saída deve ocorrer apenas em março. Antes disso, o ministro pretende concluir estudos sobre alternativas de financiamento para a tarifa zero no transporte público e regulamentar a tributação de criptoativos.
O nome mais cotado para assumir o comando da Fazenda é o do atual secretário-executivo, Dario Durigan. Caso a mudança se confirme, Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, deve assumir a secretaria-executiva.
Apesar de negar publicamente qualquer candidatura em 2026, Haddad enfrenta pressão dentro do PT para disputar o governo de São Paulo ou uma vaga no Senado. O ministro, no entanto, insiste que não pretende concorrer nas próximas eleições.
Imposto sobre importados
No mesmo dia, Haddad justificou o aumento do imposto de importação sobre mais de mil produtos, incluindo smartphones e equipamentos industriais. Segundo ele, a medida tem caráter regulatório e busca proteger a produção nacional.
De acordo com o ministro, mais de 90% dos itens afetados já são fabricados no Brasil, o que reduziria o impacto sobre os consumidores. "Qual é o objetivo? Trazer essa empresa para o território nacional. Não tem impacto, a não ser na proteção da produção nacional", afirmou.
O reajuste pode elevar tarifas em até 7,2 pontos percentuais e deve reforçar o caixa federal em cerca de R$ 14 bilhões por ano, ajudando o governo a cumprir a meta fiscal de 2026.
Setores atingidos
- Smartphones
- Máquinas e equipamentos industriais (caldeiras, geradores, turbinas, fornos, robôs, empilhadeiras, tratores)
- Plataformas de perfuração e navios
- Equipamentos médicos (ressonância magnética, tomógrafos, aparelhos laboratoriais)
A medida gerou críticas da oposição e de setores empresariais, que alertam para aumento de custos e impacto nos preços. O governo, por sua vez, sustenta que a iniciativa corrige distorções e fortalece a indústria nacional.
No caso dos celulares, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que 95% dos aparelhos vendidos no Brasil são produzidos localmente. Apenas 5% são importados. Marcas como Xiaomi podem ser afetadas, enquanto Apple, Samsung e Motorola não devem sofrer impacto.
A decisão mantém tarifa zero para componentes importados sem produção similar no país, medida considerada estratégica para evitar encarecimento da indústria local.
Data center
A medida provisória (MP) que instituiu o regime especial de tributação perdeu validade após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidir não votar o texto dentro do prazo, que acabou na quarta-feira (25). Segundo Haddad, o governo agora buscará diálogo com os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado para avaliar se há espaço para retomar a proposta.
"Vamos ter que entender se há uma indisposição ou se há negociação possível para aprovar um projeto que pode trazer bilhões de reais para o Brasil", declarou o ministro após acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia e à Coreia do Sul.
Segundo Haddad, a equipe econômica estuda alternativas para restabelecer o programa sem violar a legislação fiscal que restringe a concessão de novos benefícios tributários.
Haddad classificou o regime especial como uma questão de "soberania digital". Segundo ele, o objetivo é atrair investimentos e garantir que dados sensíveis de brasileiros sejam processados no país.