Por: Martha Imenes

Golpe da falsa compra na internet preocupa consumidores

Sites enganosos prometem facilidades, preços mais baixos. Objetivo é roubar dados e dinheiro | Foto: Freepik

Com o aumento das compras digitais, criminosos têm explorado brechas para aplicar golpes em consumidores. As investidas mais comuns exploram pressa, preços baixos e confiança excessiva. A melhor defesa, apontam especialistas, é atenção redobrada e checagem de informações antes da compra.

O chamado golpe da falsa compra na internet está entre as fraudes digitais mais recorrentes no país. Ele ocorre principalmente em duas modalidades: na primeira, o consumidor é atraído por uma oferta em um site ou perfil que imita lojas conhecidas. Após o pagamento, o produto nunca é entregue e o contato com a suposta empresa desaparece. É o famosos "pagou, mas não levou". Esse tipo de fraude, comum em redes sociais, pode gerar prejuízos médios de centenas de reais por vítima.

Na segunda, a vítima recebe uma ligação, SMS ou e-mail informando sobre uma compra de alto valor em uma loja famosa. O objetivo dos golpistas é induzir a pessoa a fornecer dados pessoais ou bancários para "cancelar" a transação. Com essas informações, criminosos conseguem roubar dinheiro ou acessar contas digitais.

Alertas

O ano mal começou e já existem alertas dos principais golpes registrados em 2026. Segundo levantamento da Branddi e da CloudWalk, são eles:

- Golpe do falso fornecedor: sites ou perfis que simulam lojas legítimas, mas desaparecem após receber o pagamento. 

- Pix falso ou "Pix errado": envio de comprovantes adulterados ou pedidos de transferência para contas suspeitas.

- Promoções irreais: preços muito abaixo do mercado usados como isca para atrair vítimas.

- Perfis e anúncios suspeitos em redes sociais: páginas com identidade visual duvidosa ou insistência exagerada em ofertas.

- Engenharia social: criminosos manipulam a vítima para que ela mesma forneça senhas, códigos ou autorize transações.

Como se proteger

- Verifique a reputação da loja: pesquise CNPJ, avaliações e histórico de reclamações.

- Desconfie de preços muito baixos: ofertas irreais são sinal clássico de fraude.

- Cheque o endereço eletrônico: sites falsos costumam ter URLs estranhas ou pequenas alterações em relação ao original.

- Prefira meios de pagamento seguros: cartões virtuais ou intermediadores confiáveis reduzem riscos.

- Não compartilhe códigos ou senhas: golpistas usam engenharia social para induzir a entrega de dados pessoais.

- Ative autenticação em dois fatores: aumenta a segurança em aplicativos bancários e plataformas de compra.

Produto com defeito

Receber um produto com defeito após uma compra online é uma situação recorrente e que exige atenção do consumidor. De acordo com o Procon, há direitos específicos que garantem reparo, troca ou devolução do valor pago. A garantia está prevista no Código de Defesa do Consumidor (CDC).

O cliente pode exercer o direito de arrependimento em até sete dias após o recebimento, sem precisar justificar. Em caso de defeito, o fornecedor tem até 30 dias para reparar o problema; se não houver solução, o consumidor pode exigir troca, abatimento no preço ou devolução do valor pago. Além disso, há a garantia legal: 90 dias para produtos duráveis e 30 dias para não duráveis. Caso a loja não resolva, o consumidor pode recorrer ao Procon para intermediar o conflito.

Vício do produto

A advogada Carla de Moraes, de Minas Gerais, acrescenta à lista um ponto que passa despercebido pelos consumidores: a vida útil do utensílio.

O consumidor brasileiro conta com garantias previstas no Código de Defesa do Consumidor (CDC), explica, quando um produto novo apresenta problemas de qualidade ou durabilidade. A situação de desgaste precoce, dentro de 60 dias da compra, pode ser enquadrada como vício do produto.

Orientação

- Guarde nota fiscal e comprovantes de compra.

- Registre o problema com fotos ou vídeos.

- Formalize a reclamação junto ao fornecedor e, se necessário, acione o Procon ou o Judiciário.