Por: Martha Imenes

Golpes digitais e vazamentos desafiam rotina dos brasileiros

Washington Bruno, diretor de Segurança da Informação da Globalweb, alerta para os riscos | Foto: Divulgação

O crescimento das transações digitais e do uso de aplicativos financeiros trouxe praticidade ao dia a dia, mas também ampliou a exposição dos consumidores a fraudes virtuais e ao uso indevido de informações pessoais. Especialistas alertam que golpes digitais e vazamentos de dados já fazem parte da rotina de milhões de brasileiros.

Segundo Washington Bruno, diretor de Segurança da Informação da Globalweb, os crimes mais comuns acompanham justamente a expansão dos serviços online. Entre eles estão fraudes via Pix, falsos atendimentos bancários, clonagem de contas de WhatsApp, links fraudulentos enviados por SMS ou e-mail e páginas falsas que simulam sites de empresas conhecidas. "Os criminosos exploram urgência, medo ou oportunidade e se aproveitam da confiança do usuário em marcas e serviços que fazem parte do seu dia a dia", explica.

O uso indevido de informações pessoais é apontado como um dos principais fatores que tornam os golpes mais sofisticados.

Dados como nome, CPF, telefone e histórico de consumo permitem abordagens personalizadas, dificultando a identificação da fraude. "Quanto maior o volume de dados expostos, maior é o grau de sofisticação das tentativas de golpe", afirma Bruno.

Na contramão da lei

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece que empresas e governos devem adotar medidas técnicas e administrativas para proteger informações pessoais. No entanto, o encontrado vai na contramão do que está previsto na lei: o Brasil já iniciou o ano com um cenário de risco ampliado, marcado por ataques cada vez mais sofisticados e pelo uso indevido de informações pessoais.

O especialista explica que caso de falhas de segurança ou negligência, consumidores podem buscar reparação por danos e as organizações estão sujeitas a sanções da autoridade reguladora.

Como agir

Ao suspeitar de vazamento ou uso indevido de dados, especialistas recomendam agir rapidamente:

- Alterar senhas de e-mail, bancos e redes sociais, utilizando combinações fortes e diferentes.

- Ativar autenticação em dois fatores.

- Monitorar extratos bancários, cartões e transações via Pix.

- Acionar imediatamente a instituição financeira em caso de movimentações suspeitas.

- Verificar se houve criação de contas ou contratação de serviços indevidos em seu nome.

Bruno ressalta que o consumidor deve buscar esclarecimentos na empresa responsável pelo incidente. "É importante entender quais dados foram expostos, qual foi a dimensão do vazamento e quais medidas estão sendo adotadas para conter novos riscos", afirma.

Pontos críticos

• Vazamentos recorrentes de dados: desde 2020, grandes bases de informações pessoais vêm sendo expostas, ampliando riscos de fraudes financeiras e contratação de serviços indevidos. Mesmo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), especialistas apontam falhas de segurança e negligência empresarial como fatores que agravam o problema .

• Ano crítico em ciberataques: 2026 é projetado como o período mais desafiador para o Brasil, com intensificação de fraudes apoiadas em inteligência artificial, ataques à cadeia de suprimentos e aumento de casos de ransomware. Em 2025, o país já havia registrado o maior ataque ao sistema financeiro nacional.

• Posição global de risco: relatório da empresa de cibersegurança DeepStrike apontou que o Brasil foi o 7º país mais atacado digitalmente em 2025, reforçando a necessidade de medidas preventivas e maior conscientização dos usuários .

Golpes mais comuns

• Fraudes via Pix e transferências instantâneas.

• Falsos atendimentos bancários e clonagem de contas de WhatsApp.

• Links fraudulentos enviados por SMS/e-mail e páginas falsas que simulam sites oficiais.

• Uso indevido de dados pessoais vazados para criar abordagens personalizadas e mais difíceis de identificar.

Riscos e impactos

• Financeiros: prejuízos diretos com transferências indevidas e empréstimos fraudulentos.

• Sociais: perda de confiança em serviços digitais e maior vulnerabilidade de consumidores.

• Institucionais: necessidade de reforço na infraestrutura de segurança e fiscalização mais rigorosa sobre empresas que lidam com dados pessoais.