Logo após representantes do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Tipicas do Estado (Fonacate) e do Fórum dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) se reunírem com o secretário de Relações do Trabalho do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), José Lopes Feijóo, para entregar oficialmente a pauta unificada de reivindicações do funcionalismo para 2026, o Congresso Nacional aprovou reajuste de salário para servidores do Legislativo. Os projetos de lei 6070/25, do Senado Federal, e 179/26, da Câmara dos Deputados, modificam os planos de carreira dos servidores das duas Casas. O texto vai à sanção do presidente Lula.
O Correio da Manhã teve acesso ao documento entregue no MGI e ao texto aprovado no Congresso e constatou que ambos têm, basicamente, reivindicações similares.
O texto aprovado no Parlamento prevê aumentos anuais na remuneração básica dos servidores e gratificações de cargos especiais. Na Câmara, está previsto reajuste de 9,25% para os servidores efetivos e de carreira e de 8,63% para os que ocupam cargos de confiança.
O projeto aprovado no Senado prevê reajuste dos vencimentos básicos entre 2026 e 2029 e reestrutura gratificações. Além disso, assim como a proposta da Câmara, o texto também cria licença compensatória para quem tem cargo de direção ou de assessoramento superior.
Folgas proporcionais
Outro ponto aprovado trata de folgas proporcionais aos dias trabalhados: no mínimo, um dia de folga a cada dez trabalhados e, no máximo, um dia de folga a cada três trabalhados. Se não puderem tirar a folga, recebem em dinheiro. O texto permite ainda que servidores ganhem uma gratificação por produtividade, que pode chegar a 100% do salário.
Planalto de fora
As propostas são de autoria da mesa diretora da Câmara e do Senado, sem prévio acordo com o Palácio do Planalto, e receberam severas críticas do relator da reforma administrativa, deputado Pedro Paulo (PSD-RJ). Segundo ele, as propostas criam "penduricalhos" que abrem caminho para pagamentos acima do teto constitucional do funcionalismo, na contramão do discurso de responsabilidade fiscal e de combate a privilégios no serviço público.
Voto contrário
Na votação relâmpago realizada na terça-feira (3) Pedro Paulo registrou por escrito voto contrário ao projeto de lei 179/2026, aprovado de forma simbólica pela Câmara. O parlamentar adverte que existe uma contradição direta com os projetos aprovados no Legislativo: ao criar licenças indenizáveis e ampliar gratificações, o Congresso envia um sinal oposto ao que se tenta construir com a reforma administrativa.
"Não sou contra reajustes nem reestruturação de carreiras no serviço público — desde que existam recursos e responsabilidade fiscal", escreveu o deputado nas redes sociais. "O problema está em outra parte do projeto: a criação de penduricalhos, como a chamada licença compensatória, que abre caminho para remunerações acima do teto. É exatamente o oposto do que defendemos na reforma administrativa e do que a sociedade espera de nós", afirma o deputado.
Grupo de trabalho
As críticas ganham peso porque Pedro Paulo coordena o grupo de trabalho da reforma administrativa na Câmara, apresentada como uma tentativa de reorganizar o serviço público, conter distorções salariais e enfrentar o problema dos supersalários. O pacote desenhado pelo parlamentar envolve três frentes legislativas: uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), um Projeto de Lei (PL) e um Projeto de Lei Complementar (PLC).