Por: POR MARTHA IMENES

CORREIO ECONÔMICO | Apesar da Selic a 15%, mercado reduz previsão da inflação

Taxa básica de juros varia conforme a economia | Foto: Freepik

O primeiro relatório do boletim Focus após a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano aponta que a previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - referência oficial da inflação no país - passou de 4% para 3,99% em 2026.

O relatório aponta que para o ano que vem, a projeção da inflação se manteve em 3,8%. Já para 2028 e 2029, as previsões são de 3,5% para os dois anos. Essa é a quarta semana seguida que a previsão para a inflação de 2026 foi reduzida e está dentro do intervalo da meta para a variação de preços que deve ser perseguida pelo Banco Central.

 

Transporte aéreo e por app em alta

Em dezembro, a alta no preço dos transportes por aplicativo e das passagens aéreas fez a inflação chegar a 0,33%, acima do aumento de 0,18% registrado em novembro. O resultado fez o IPCA acumular alta de 4,26% em 2025. Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros (Taxa Selic), definida atualmente em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Apesar do recuo da inflação e do dólar, o colegiado não mexeu nos juros pela quinta vez seguida na última reunião.

Meta de 3%, com variação de 1,5 p.p.

Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5%, e o superior, 4,5%.

A primeira divulgação sobre o IPCA de 2026 será feita no próximo dia 10 de fevereiro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , quando será divulgado o índice de janeiro.

Maior nível desde julho de 2006

A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Em comunicado, o Copom confirmou que deverá começar a reduzir os juros na reunião de março, caso a inflação se mantenha sob controle e não haja surpresas no cenário econômico. A estimativa dos analistas de mercado é que a taxa básica caia para 12,25% ao ano até o final de 2026.

Estatísticas

O Relatório Focus resume as estatísticas calculadas considerando as expectativas de mercado coletadas até a sexta-feira anterior à sua divulgação. O relatório traz a evolução e o comportamento semanal das projeções para índices de preços, atividade econômica, câmbio, taxa Selic, entre outros indicadores. As projeções são do mercado, não do BC.

Projeção do PIB

Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) também ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos. Puxada pelas expansões da indústria e da agropecuária, a economia brasileira cresceu 0,1%.

Selic em 10,5%

Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano. Nesta edição do boletim Focus, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano permanece em 1,8%.

Resultado em março

Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está agendada pelo IBGE para 3 de março. A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,50 para o fim deste ano.

Cotação do dólar

O dia começou com a alta do dólar, acompanhando a valorização da moeda americana no exterior, medida pelo índice DXY. O DXY sobe pelo segundo dia consecutivo, com fortalecimento principalmente em relação ao iene e ao euro, aponta Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Fechamento

O dólar comercial fechou o dia cotado a R$ 5,258, alta de 0,19% em relação ao fechamento de sexta (30). Já a Bolsa de Valores avança após dois pregões consecutivos no vermelho. A previsão do mercado financeiro para uma inflação abaixo de R$ 4 ao final do ano ajuda no desempenho da moeda.