Por: Martha Imenes

Carnaval deve movimentar R$ 14,4 bi e 'ouriça espertinhos'

Foliões começam a ganhar as ruas. Atenção redobrada para não perder celular e não cair em golpe | Foto: Alex Ferro / Riotur

Com a proximidade do Carnaval, cresce a expectativa de movimentação econômica e também os alertas de segurança. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta que a festa popular gere cerca de R$ 14,4 bilhões em receitas no setor turístico. O aumento da circulação de pessoas e de recursos financeiros favorece a economia, mas também atrai criminosos e espertinhos que se aproveitam da distração dos foliões para aplicar o velho golpe da maquininha - que não sai da moda - e outros para vender produtos ou serviços e entregar "tudo pela metade".

A fraude financeira ganha destaque com o avanço da tecnologia, principalmente em questões bancárias. O alerta é de Felipe Tambelini, diretor de Prevenção a Fraudes do Itaú Unibanco. Ele destaca que a conscientização é a principal ferramenta de proteção. "Em períodos de grande aglomeração, como o Carnaval, as pessoas tendem a ficar mais expostas à atuação dos golpistas. Conhecer a abordagem dos criminosos em diferentes contextos é um dos elementos principais para evitar prejuízos financeiros na folia", afirma.

Segundo o executivo, ativar as funcionalidades de segurança nos aplicativos bancários é uma medida eficaz para reduzir riscos. "No Itaú Unibanco, contamos com uma variedade de recursos que podem ser acionados antes de o cliente sair de casa para aproveitar as festas com tranquilidade. Além disso, oferecemos suporte e orientação em qualquer horário, todos os dias da semana, por meio dos canais oficiais", explica.

Previsibilidade

Por falar em pagamento de pacote completo mas entrega de parte dele, seja em hospedagem por temporada ou eventos e camarotes de Carnaval, especialista explica que o ponto central é que muitos dos problemas enfrentados no Carnaval não são imprevisíveis.

"Estamos falando de riscos conhecidos, recorrentes e amplamente divulgados. Quando o fornecedor falha em se preparar para um aumento previsível de demanda, isso não pode ser tratado como caso fortuito. Do ponto de vista jurídico, trata-se de falha na prestação do serviço, sujeita às regras do Código de Defesa do Consumidor", afirma Marco Antonio Araújo Jr., advogado e presidente da Comissão Especial de Direito do Turismo, Mídia e Entretenimento do Conselho Federal da OAB.

Entre os principais focos de conflito estão: eventos e blocos carnavalescos, especialmente camarotes e shows pagos. Alterações de atrações, ausência do artista principal, mudanças de local ou data e descumprimento de serviços prometidos, como open bar ou open food, geram direito à devolução do valor pago ou ao abatimento proporcional.

"O consumidor compra uma experiência específica. Se ela não é entregue como ofertada, há quebra da oferta, o que autoriza reembolso e, em alguns casos, indenização", explica Marco Antonio.

Programa celular seguro

"O Carnaval é um dos momentos mais marcantes da cultura brasileira, quando as pessoas estão mais nas ruas, viajando e aproveitando a festa. Nosso papel é apoiar clientes e a sociedade para que vivam esse período com mais tranquilidade, reduzindo riscos sem interferir na experiência.

Cuidados simples adotados antes da folia podem fazer a diferença, como cadastrar o celular e um contato de confiança no Celular Seguro do governo federal, ativar proteções extras de segurança do seu banco e contratar um seguro", afirma Lee Waisler, Sócio e Head da Plataforma de Atendimento & Antifraude da XP.

Dicas de segurança

- Ajuste limites e ative notificações: reduzir valores de saque, Pix e compras, além de ativar alertas em tempo real, ajuda a monitorar movimentações suspeitas.

- Proteja o celular: habilitar autenticação em dois fatores e reconhecimento facial, além de registrar o Imei do aparelho, são medidas que dificultam o acesso indevido.

- Conheça os golpes mais comuns: entre eles estão a troca de cartão e a adulteração de valores em maquininhas. A recomendação é nunca entregar cartões ou dispositivos a terceiros.

- Atenção ao pagar com cartão: dê preferência a carteiras digitais como Apple Pay ou Google Pay, exigir comprovantes e verificar valores antes da confirmação da transação.

- Em caso de roubo ou furto: acionar imediatamente o banco para bloqueio de cartões e registrar boletim de ocorrência na delegacia.

 

Golpe da maquininha não sai de 'moda'

Consumidor deve ter atenção redobrada ao utilizar maquininha. O golpe é velho, mas não sai de moda | Foto: Divulgação

Com o aumento das transações digitais e do uso de cartões, cresce também a criatividade dos golpistas. Um dos esquemas mais comuns é o chamado "golpe da maquininha", em que criminosos adulteram dispositivos de pagamento para cobrar valores superiores ou clonar dados dos clientes. Apesar de ser um golpe velho, ele nunca sai de moda. Seja em transportes ou estabelecimentos comerciais: fique alerta!

Como funciona

Os fraudadores manipulam as maquininhas de cartão de diferentes formas: exibem valores diferentes dos cobrados, apagam dígitos para confundir o consumidor, instalam vírus para capturar informações ou simplesmente não entregam o comprovante da transação. Em todos os casos, o objetivo é obter lucro ou acesso indevido aos dados bancários da vítima.

Caso de repercussão

Um dos casos que teve repercussão nacional envolveu o médico Thales Bretas, viúvo do humorista Paulo Gustavo. Um falso taxista usou uma maquininha sem visor, com a tela no celular. "Ele falou assim comigo: 'Não aceita cartão por aproximação, tem que ser o cartão físico'. Quando passou o cartão, o motorista arrancou rápido e saiu. Ele só percebeu o golpe ao receber um SMS com a confirmação da compra em um valor muito maior do que o da corrida. O prejuízo foi de R$ 4.215. O caso ocorreu em 2025.

Outro caso do uso indevido da maquininha é no contexto de entrega ou serviços, manipulando o visor para valores altos ou clonando o cartão ao observar a senha, resultando em grandes prejuízos para a vítima que só percebe depois.

Dicas de proteção

- Exija o comprovante de pagamento: a via do cliente traz todas as informações corretas da transação. Se houver cobrança indevida ou clonagem, o documento servirá como prova para acionar o banco e a polícia.

- Ative alertas via SMS: muitos bancos oferecem notificações automáticas de movimentações, entre eles o Itaú Unibanco, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. Essa ferramenta permite identificar rapidamente compras não autorizadas.

- Prefira estabelecimentos de confiança: evite usar o cartão em locais suspeitos ou pouco conhecidos. Em caso de dúvida, opte por pagamento em dinheiro ou aplicativos de delivery.

- Bloqueie o cartão imediatamente: ao perceber o golpe, entre em contato com o banco e solicite o bloqueio. Caso não haja solução, registre boletim de ocorrência e acione órgãos de defesa do consumidor, como o Procon e o site consumidor.gov.br.

- Busque seus direitos na Justiça: se o banco não resolver o problema, o cliente pode recorrer ao Juizado Especial Cível pára valores inferiores a 40 salários mínimos, o equivalente hoje a R$ 64.840. Para valores superiores, o processo deve ser aberto na Justiça comum.

Responsabilidade das instituições

O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) explica que a legislação brasileira estabelece que as instituições têm obrigação de garantir a segurança das operações financeiras dos clientes. Ou seja, em casos de golpe ou clonagem de dados, cabe às instituições assegurar que o consumidor não arque com prejuízos.

Com a proximidade de grandes eventos e aumento da circulação de dinheiro, especialistas reforçam que atenção e informação são as melhores armas contra golpes.

"O consumidor consciente reduz riscos e garante mais tranquilidade nas compras do dia a dia", orienta o Idec.