A manutenção da taxa básica de juros da economia (Selic) em 15% é esperada pelo mercado financeiro, embora analistas avaliem que já está na hora de os juros começarem a cair para aquecer a economia. A expectativa sobre os resultados da Super Quarta, dia em que os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos vão anunciar as decisões de juros em seus países, faz o mercado operar em compasso de espera.
A reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) foi realizada sob forte expectativa do mercado por sinalizações que indicassem o início do ciclo de cortes já em janeiro de 2026. No entanto, a ata frustrou essa percepção ao revelar um Copom que ainda busca elementos de segurança para avançar ao próximo estágio no ciclo de política monetária.
"O documento destacou vetores inflacionários adversos, expectativas desancoradas com convergência lenta, o risco de repasse cambial e uma leitura mais negativa sobre a dinâmica da inflação corrente. Deve-se considerar, ainda, que a ata foi publicada logo após o anúncio de uma candidatura à disputa presidencial, fato que elevou a volatilidade dos ativos com a alta nos juros e no dólar", aponta a Warren Investimentos.
Para a reunião de quarta-feira (28), a Warren Investimentos diz não esperar sinalizações explícitas sobre o encontro de março. "A tendência é a manutenção de um tom duro, reiterando a importância da reancoragem das expectativas de inflação, a preocupação com a resiliência do mercado de trabalho e a necessidade de melhora na leitura qualitativa da inflação corrente", finaliza, em nota.
Resultado do IPCA-15
A depender do resultado da prévia da inflação divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teoricamente, a taxa tem condições de cair. A conta de luz mais barata foi um dos fatores que ajudaram a prévia da inflação oficial de janeiro perder força e fechar em 0,20%. Em dezembro, o índice havia ficado em 0,25%.
De acordo com o economista Luiz Otávio Leal, da G5 Partners, a inflação começa 2026 com uma "cara" muito parecida com a que encerrou 2025, uma variação ao redor de 0,20%, com um acumulado em 12 meses próximo de 4,50%, e sendo impactada por eventos pontuais.
"Começando pelo que ajudou o índice a ficar abaixo do que o do mês anterior, podemos destacar
três grandes fatores: a gratuidade do ônibus urbano em Belo Horizonte aos domingos; a mudança
da bandeira tarifária em janeiro de amarela para verde; a queda nos preços das passagens aéreas.
No primeiro caso, o item 'Ônibus urbano' caiu 2,79%, puxando para baixo o IPCA-15 do mês em
0,03 p.p.. No segundo caso, a 'Energia elétrica residencial' caiu 2,91%, impacto negativo de 0,12
p.p., e no último, a ´Passagem aérea' caiu 8,92%, impacto baixista de 0,07", explica.
Ainda conforme Leal, a inflação começa 2026 com uma "cara" muito parecida com a que encerrou 2025, uma variação ao redor de 0,20%, com um acumulado em 12 meses próximo de 4,50%, e sendo impactada por eventos pontuais.
Balanços nos EUA
No exterior, o mercado acompanha a divulgação dos balanços do quarto trimestre de importantes empresas, como American Airlines, Boeing e General Motors. Além disso, na política, deve-se repercutir a ameaça de Donald Trump de aumentar as tarifas sobre as importações sul-coreanas relacionadas a automóveis, madeira e produtos farmacêuticos para 25%. Segundo Trump, o legislativo do país de não está cumprindo seu acordo comercial com os EUA.