Por: Redação

FGC começa a ressarcir investidores do Banco Master

FGC iniciou pagamento das garantias do Banco Master, liquidado pelo Banco Central | Foto: Adobe Stock

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) começa, nesta segunda-feira (19), a ressarcir cerca de 377 mil credores que compraram Certificados de Crédito Bancário (CDBs) do banco Master. Os valores serão pagos à vista. 

O CDB é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Essa remuneração pode ser pré-fixada (definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a indicadores como o CDI).

Os saldos de correntistas e investidores são protegidos pelo FGC até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.

No caso dos investidores, a cobertura varia conforme o tipo de aplicação. Estão dentro das regras do FGC:

- CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB);

- Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs).

O que é o FGC?

O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada sem fins lucrativos que protege os depositantes e investidores. Os recursos nele depositados são provenientes das próprias instituições bancárias.

Cerca de 569 mil solicitações de ressarcimento de garantias dos credores que compraram CDBs do Master foram registrados. Desses, aproximadamente 377 mil finalizaram o processo de solicitação de garantia e seguiram para o processo de pagamento, que começa hoje.

O prazo para pedidos de ressarcimento começou no sábado (17), por meio do aplicativo do FGC, no caso das pessoas físicas. As empresas, por sua vez, devem fazer os pedidos pelo site do Fundo Garantidor de Crédito.

O FGC também informa que credores tentaram realizar a validação da biometria usando um documento sem CPF, o que tem gerado recusas na avaliação da identidade. "É importante seguir as orientações que constam no site e no aplicativo do FGC", alerta a instituição.

Segundo o FGC, o número de credores da garantia, inicialmente estimado em 1,6 milhão, é da ordem de 800 mil. Além disso, o valor total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões, contra a estimativa inicial de R$ 41,3 bilhões.

O FGC informou que possui liquidez de R$ 125 bilhões, conforme dados de novembro de 2025.

Aplicativo funciona normalmente

O FGC informou, também, que depois de o aplicativo ter apresentado instabilidade neste sábado, no dia que o sistema foi aberto para os credores do banco Master, não foram registrados novos problemas.

"O aplicativo opera normalmente. Estão sendo processados cerca de 9 mil pedidos por hora, o que corresponde a aproximadamente 2,5 solicitações por segundo. Pontualmente, volumes anormais de acessos simultâneos ainda causam alguma lentidão", informou o fundo.

FGC alerta para tentativas de golpes

O FGC também alertou para possíveis tentativas de golpe envolvendo o pagamento de garantia.

O órgão reforçou que os canais oficiais de atendimento e divulgação de informações são o app do FGC, telefone, email e redes sociais.

"O FGC não cobra nenhum tipo de taxa para efetuar o pagamento da garantia, não antecipa, não transfere créditos garantidos e não utiliza intermediários. Nenhum contato é feito por meio do WhatsApp ou SMS", informou.

Atuação

 

O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.

EXEMPLO: Quem tinha R$ 180 mil investidos e R$ 100 mil para receber em rendimentos terá acesso a até R$ 250 mil. O valor que exceder esse limite deve ser solicitado no processo de liquidação conduzido pelo BC.

Quem não está protegido pelo FGC?

Não têm direito à cobertura do FGC os investidores que aplicaram em produtos sem garantia do fundo, como:

- Debêntures;

- Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs),;

- Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs);

- Fundos de investimento;

- Títulos emitidos fora do sistema de proteção.

- Nesses casos, não há indenização automática: todo o valor investido entra integralmente na fila da

- liquidação e só poderá ser recuperado se houver recursos suficientes após o pagamento das obrigações prioritárias.

Liquidação do banco Master

A instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada no dia 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.

Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.

O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.