De cada dez empresas industriais, oito enfrentaram dificuldades para obter crédito. Elas apontam os juros elevados como o principal obstáculo ao financiamento no país. O dado faz parte de pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).
Segundo a Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito em 2025, 80% dos empresários que tiveram problemas para acessar crédito de curto ou médio prazo (até 5 anos) citaram os juros altos como o maior entrave. Em seguida aparecem a exigência de garantias reais, como imóveis ou máquinas (32%), e a falta de linhas de crédito adequadas às necessidades das empresas (17%).
O cenário se repete no crédito de longo prazo, acima de 5 anos. Nesse caso, 71% dos industriais atribuíram as dificuldades aos juros elevados, enquanto 31% mencionaram a exigência de garantias e 17% a ausência de linhas compatíveis com seus projetos.
"A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito. Com a Selic em 15% ao ano e juros reais em torno de 10%, o financiamento fica mais caro e desestimula investimentos em expansão e inovação", explica Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI.
Selic reduziu a busca
* 54% das empresas não buscaram crédito de longo prazo nos seis meses anteriores à pesquisa.
* 49% não procuraram crédito de curto ou médio prazo no mesmo período.
* apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo.
* no longo prazo, o percentual caiu para 17%.
Longo prazo
* Quase um terço das empresas que tentaram crédito de longo prazo não teve sucesso.
* Cerca de 20% das que buscaram crédito de curto ou médio prazo também não conseguiram.
Curto ou médio prazo
* Médias: 26% não obtiveram crédito.
* Pequenas: 21%.
* Grandes: 16%.
Crédito de longo prazo
* Médias empresas: 43% não conseguiram.
* Pequenas empresas: 37%.
* Grandes empresas: 27%.
Condições pioraram
* 35% das empresas avaliaram que as condições de crédito de curto ou médio prazo pioraram.
* 33% fizeram a mesma avaliação para o crédito de longo prazo.
* Para 47%, as condições permaneceram semelhantes.
* 14% relataram melhora.