Por: Redação

Haddad defende BC e diz que caso Master pode ser 'a maior fraude bancária' do país

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad | Foto: José Cruz/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, elogiou a atuação do Banco Central no processo que resultou na liquidação do Banco Master. Ele disse as investigações podem revelar a "maior fraude bancária da história".

Em entrevista coletiva ao chegar ao Ministério da Fazenda, Haddad afirmou que o Brasil precisa "conhecer a verdade" sobre o Master. Ele disse que a pasta trabalha em conjunto com o Banco Central e o Tribunal de Contas de União (TCU) para destrinchar a relação entre o Banco de Daniel Vorcaro e a gestora Reag, que simulava movimentações usando títulos podres.

"Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país e temos que tomar todas as cautelas devidas, com as formalidades, garantindo todo o espaço para a defesa se explicar, mas, ao mesmo tempo, sendo bastante firmes em relação àquilo que tem que ser defendido, que é o interesse público", enfatizou Haddad.

Haddad avaliou que "as coisas vão caminhar para lado certo", reforçando que a atuação conjunta das instituições vai auxiliar a "apurar responsabilidades e eventualmente obter ressarcimento dos prejuízos causados". "Eu penso que as coisas vão caminhar para o lado certo", disse.

O ministro elogiou a condução do Banco Central no caso Master. Ele defendeu a transparência do processo e classificou a atuação do presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, e dos demais diretores da instituição como adequada até o momento. "Eu acredito realmente que o trabalho feito pelo Banco Central é tecnicamente muito robusto", disse.

Haddad reafirmou que os prejuízos impactam nos cofres dos bancos públicos. Ressaltou que os pagamentos aos investidores com títulos do Master serão reembolsados com o auxílio dos aportes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito). "O FGC, que todo mundo considera um fundo privado, é capitalizado também por dois bancos públicos. O Banco do Brasil e a Caixa respondem por um terço da capitalização", afirmou.

"[A liquidação do Master] é um assunto de interesse público por várias razões, mas também porque envolve recursos de bancos públicos", disse o ministro.

O Banco Central retirou, hoje de manhã, o recurso contra a inspeção que o TCU quer realizar na autarquia a respeito do Banco Master. Ontem, o presidente da Corte, Vital do Rêgo, se reuniu com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o ministro relator do caso, Jhonatan de Jesus. Eles concordaram em seguir em frente com a inspeção, mas com algumas condições. Os auditores do TCU não devem ter acesso a dados de sigilo bancário e negócios, para evitar vazamentos que possam comprometer a legalidade do processo.