Os países da União Europeia aprovaram de forma provisória, nesta sexta-feira (9), o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Embora o tratado ainda não esteja em vigor e dependa de etapas formais para assinatura e ratificação, a sinalização política já reacende discussões sobre os impactos econômicos para o Brasil, especialmente no comércio exterior.
Para o sócio fundador da Interface e especialista em comércio internacional, Renan Werneck, o debate vai além da expectativa de redução de preços e precisa considerar o papel estratégico do Imposto de Importação na economia brasileira.
“O Imposto de Importação é, na prática, um instrumento de equilíbrio da concorrência. Quando existe produção relevante no Brasil, o imposto tende a ser maior para evitar que o produto importado chegue em vantagem. Quando essa produção não é significativa, o imposto costuma ser menor”, explica.
Segundo Werneck, é justamente esse mecanismo que rege as variações de preços e protege a indústria nacional. Atualmente, dentro do Mercosul, diversos produtos circulam com tarifa de importação zerada entre os países-membros, o que facilita a entrada de vinhos e chocolates de origens próximas ao Brasil.
“Com o acordo entre Mercosul e União Europeia, a tendência é reduzir, ao longo do tempo, essa diferença tarifária para produtos europeus. Isso pode aumentar a variedade de rótulos de vinhos disponíveis no mercado brasileiro e ampliar a presença de chocolates premium”, avalia.
De acordo com as informações divulgadas, os vinhos europeus, que hoje enfrentam uma tarifa de importação de cerca de 27%, teriam esse imposto reduzido gradualmente até zero em um prazo estimado entre 8 e 12 anos. Já os chocolates, atualmente taxados em 20%, teriam a tarifa eliminada em 10 ou 15 anos, a depender do tipo de produto.
Renan Werneck pondera, no entanto, que o acordo não deve ser interpretado como sinônimo de preços baixos imediatos ao consumidor. “Câmbio, logística e tributação interna continuam pesando no preço final. O acordo não significa que tudo vai ficar barato, mas pode abrir espaço para mais competição e, principalmente, para novas oportunidades de negócio com fornecedores europeus no médio e no longo prazo”, conclui.