O ano chegou e com ele umas contas a pagar que pesam no bolso do consumidor, além de IPVA (para quem tem carro), IPTU, cartão de crédito - por conta das festas de fim de ano -, ainda tem a educação, seja para quem tem filhos em idade escolar ou quem estuda. Escolas particulares e faculdades, por exemplo, oferecem descontos para pagamento antecipado, seja por semestre ou pelo ano letivo completo, como forma de garantir previsibilidade de caixa e reduzir a inadimplência.
Em geral, esses abatimentos podem variar de 5% a 15%, dependendo da instituição e do período de antecipação, e costumam ser apresentados aos pais no momento da rematrícula como uma oportunidade de economia imediata.
A proposta pode ser tentadora, mas levanta uma dúvida recorrente no planejamento financeiro: vale a pena sacar o dinheiro dos investimentos para aproveitar o desconto ou é melhor manter o capital aplicado e pagar as mensalidades mês a mês?
Valor real
Segundo Marco Loureiro, especialista em investimento, da XP no Centro-Oeste, a decisão deve partir de uma comparação objetiva entre o desconto oferecido pela escola e o rendimento real dos investimentos.
"O primeiro passo é colocar os números na mesa. Quando falamos em sacar recursos aplicados, é essencial entender quanto esse dinheiro está rendendo hoje. Se o investimento oferecer um retorno líquido inferior ao desconto dado pela escola, antecipar o pagamento passa a ser uma alternativa financeiramente interessante", afirma.
"Recursos aplicados com foco no longo prazo, como ações, fundos multimercados ou previdência, não devem ser interrompidos para cobrir despesas previsíveis", explica.
Para o especialista, o investidor precisa avaliar se o capital está em aplicações de curto prazo e alta liquidez ou em estratégias voltadas à construção de patrimônio. "Manter o dinheiro bem investido, respeitando o perfil e os objetivos financeiros, costuma ser mais vantajoso do que tomar decisões pontuais que prejudiquem a estratégia de investimento", conclui.
Nesse contexto, Marco Loureiro reforça que contar com a orientação de um especialista em investimentos é a melhor forma de tomar uma decisão equilibrada. "Cada família tem uma realidade diferente, com investimentos, prazos e objetivos específicos. Um assessor de investimentos consegue analisar o portfólio como um todo e indicar se faz sentido resgatar algum ativo ou manter a estratégia atual", destaca.