Por: Martha Imenes

Capelli: 'Vamos acabar com a exclusividade do BRB no pagamento da folha do DF'

Ricardo Capelli, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) | Foto: Martha Imenes/Correio da Manhã

Um dia após o governo federal anunciar um crédito de R$ 12 bilhões para a renovação do parque industrial brasileiro (a indústria 4.0), a Casa Correio da Manhã, em Brasília, recebeu o presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Capelli (PSB).

Capelli, que é pré-candidato ao Governo do Distrito Federal (GDF) em 2026, e foi interventor do DF na época dos ataques de 8 de janeiro, falou sobre o cenário político brasileiro e do GDF - que podem ser conferidos na coluna Correio Político, de Rudolfo Lago, nesta edição do Correio -, e o papel da ABDI, que é ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

"A ABDI é uma agência vinculada ao ministério, nós estamos agindo para tentar mitigar os efeitos das tarifas norte-americanas. Participamos, junto com o ministério, da construção do plano Brasil Soberano", conta Capelli.

Denúncia

O presidente da ABDI falou sobre a denúncia feita contra o Banco Regional de Brasília (BRB), que tem exclusividade na folha de pagamentos do GDF. Mas, no que depender de Capelli, a exclusividade está com os dias contados. "Vamos ganhar a eleição e vou derrubar um artigo da Lei Orgânica do DF que determina exclusividade de pagamento ao BRB", assegura.

Segundo ele, todos os servidores do Distrito Federal são obrigados a receber o pagamento pelo BRB, e isso acabou levando os servidores a um alto endividamento com empréstimo consignado.

"O BRB oferece consignado com juros altos, o servidor se enrola. A dívida com o banco é refinanciada e é oferecido outro empréstimo. Vira uma bola de neve", explica Capelli, que acrescenta: "E o que tem acontecido? O salário cai na conta e o BRB toma 100% do salário. Existem pessoas há meses sem salário", denuncia.

 

Foco no desenvolvimento do Distrito Federal

O presidente da ABDI, Ricardo Capelli, avalia que o BRB deveria focar em fomento e não em marketing e aquisições. "O BRB só tem um sentido de existir, que é o desenvolvimento do Distrito Federal", diz.

Ele conta que o banco fechou no ano passado com um lucro contábil de R$ 200 milhões, mas esse ano já projeta prejuízo. No entando, não afirmou de quanto seria esse prejuízo estimado.

"O BRB vai juntar com o (banco) Master para disputar o mercado de varejo do Brasil. Ele vai disputar o quê? Com bancos que lucram R$ 3 bilhões por trimestre? Não tem a menor condição. O BRB só tem um sentido: ser um banco de desenvolvimento", avalia.

O ex-interventor do DF critica a atuação do banco regional no que diz respeito ao papel de fomento desempenhado e cita os juros cobrados como exemplo.

"Sabe quanto o BRB cobra de juros para capital de giro voltado ao pequeno e micro empresário do Distrito Federal? São 56% de juros ao ano. Para que usar o BRB para isso? A pessoa vai em outro banco e consegue juros mais baixos", finaliza Capelli.

 

Indústria 4.0 visa modernização

A ideia do programa Indústria 4.0 é que o maquinário das empresas brasileiras seja atualizado com mais rapidez, com maior digitalização dos equipamentos e recursos de inteligência artificial.

"Ao invés de depreciar a compra de máquinas e equipamentos em 15 anos, é preciso depreciar a cada dois. Um forte estímulo à renovação industrial", disse o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Os recursos para o programa são do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com R$ 10 bilhões, e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com, mais R$ 2 bi.

"Era um grande anseio da indústria poder ter um crédito mais acessível para renovar suas máquinas e equipamentos, e melhorar a produtividade, a competitividade, reduzir custos e melhorar a eficiência energética", afirmou Alckmin à Agência Brasil.

O vice-presidente acrescentou que o projeto de estímulo a bens de capital já era pensado desde o ano passado e que não teve relação inicial direta com o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos, que taxou os produtos brasileiros em 50%.

"A indústria brasileira vai ser mais competitiva internamente para vender produtos melhores e a preço menor no Brasil. E, para ganhar mercado no exterior", disse Alckmin.

O presidente do BNDES, Aloísio Mercadante, destacou que o programa representa mais do que uma iniciativa em favor da indústria, do crescimento e do investimento do país.

"O motor do crescimento é o investimento. O investimento precisa de inovação", disse.