Por: Por Martha Imenes

Pobreza assola 28 milhões de crianças e adolescentes

Percentual de crianças sem acesso a saneamento básico estava em 38% em 2023 | Foto: Arquivo/Agência Brasil

O alto número de crianças e adolescentes vivendo na pobreza - 28,8 milhões (dados de 2023) - mostra que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para mitigar a fome e a miséria dessa população mais jovem. Balanço divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostra que esses 28,8 milhões representam 55,9% da população de 0 a 17 anos do país.

Ou seja, mais da metade dos jovens brasileiros ainda vivem o que o Unicef chama de "pobreza em suas múltiplas dimensões". A atuação do Unicef, que há 75 anos está no país e programas sociais do governo, têm sido fundamentais para reduzir a vulnerabilidade de crianças e adolescentes.

O levantamento utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e o critério foi além da renda familiar.

Foram analisados também educação, acesso à informação, água, saneamento, moradia e proteção contra o trabalho infantil. Na comparação entre 2017, quando 34,3 milhões estavam na linha de pobreza, e 2023, houve melhora nesses itens - mas o ritmo das conquistas e o estágio atual de cada indicador são diferentes.

No caso da renda, por exemplo, o número de crianças e adolescentes em privação recuou de 25,4% para 19,1%. No acesso à informação, a queda foi mais vertiginosa - eram 17,5% afetados em 2017, e só 2,5% em 2023.

O avanço foi menor em outros critérios: o percentual de crianças sem acesso a saneamento básico ainda era de 38% em 2023, ante 42,3% em 2017. O índice de crianças e adolescentes em trabalho infantil ficou praticamente estagnado: passou de 3,5% para 3,4%.

Parceria no Rio

O combate à violência contra crianças e adolescentes permeou a assinatura de um memorando de entendimento entre a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e o Unicef.

 

Principais frentes de atuação da fundação

Agenda global

- Redução da pobreza e das desigualdades - incluindo a garantia de acesso a saúde e educação de qualidade.

- A organização também destaca os desafios ligados à saúde mental, em um mundo cada vez mais conectado, a questão migratória, e a mitigação da emergência climática.

- O Unicef destaca a realização do COP30 no Brasil, no Pará, Região Norte do país, defendendo a necessidade de se colocar no centro da agenda nacional, e global, um olhar especial para aqueles em situação de maior vulnerabilidade social no país.

Agenda com a Firjan

-A parceria com a federação visa mobilizar empresas, organizações, escolas e territórios de atuação para disseminação e articulação de ações de prevenção e resposta às violências contra crianças e adolescentes no Estado do Rio de Janeiro.

- Promover atividades de treinamento sobre prevenção, reconhecimento de sintomas de violência e o encaminhamento de casos de crianças e adolescentes vítimas.

- Colaborar nas ações de empregabilidade de jovens em situação de vulnerabilidade social, especialmente de meninos e meninas negras.

É preciso evitar retrocesso, diz Unicef

A pesar de número tão expressivo de crianças e adolescentes vivendo em pobreza, o Unicef pontua que houve avanços no país.

"Nos últimos 75 anos, o Brasil avançou muito na garantia dos direitos de crianças e adolescentes, com conquistas que devem ser comemoradas. E é preciso evitar retrocessos e seguir avançando. Os direitos da infância e adolescência são uma agenda inacabada, pois sempre há desafios antigos que ainda se impõem e novos desafios que surgem. A sociedade também se transforma continuamente e passa a exigir novos direitos para meninos e meninas. Diante dessa realidade, o Unicef reafirma seu compromisso em seguir junto com o Brasil, para cada criança e adolescente", disse o representante do Unicef no Brasil, Youssouf Abdel-Jelil.

Para o futuro, o Unicef destaca que há muito a se fazer para garantir a plenitude dos direitos de crianças e adolescentes no Brasil.

"Temos que seguir trabalhando nessa agenda inacabada, junto com comunidades, governos - em vários níveis -, sociedade civil, setor privado, e as próprias crianças e adolescentes, para garantir um presente e um futuro seguros e prósperos", concluiu Abdel-Jelil.
Exposição

Para comemorar seus 75 anos de atuação no Brasil, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) completa 75 anos de atuação no Brasil e, para comemorar a data especial, o braço da ONU para direitos de crianças e adolescentes promoveu evento na quarta-feira (16), no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

A data marca também o lançamento do livro "Unicef, 75 anos pelas Crianças e pelos Adolescentes - Uma História em Construção" e da exposição "Passos para o Amanhã".