Por Marcello Sigwalt
Embora discreta, a queda do nível de endividamento das famílias, de 76,7% em dezembro, para 76,1%, em janeiro último, é importante, sob o ponto de vista de tendência (segunda queda consecutiva), mas que precisa se consolidar nos próximos meses. O percentual do mês passado também é bem melhor do que o exibido em janeiro de 2024, quando o patamar de endividamento familiar chegou a 78,1%. Trata-se de uma queda de dois pontos percentuais.
Por sua vez, a parcela de consumidores com contas em atraso 'encolheu' de 29,3% em dezembro para 29,1% em janeiro, igualmente pelo segundo mês seguido. Um ano antes, em janeiro de 2024, a proporção de famílias inadimplentes era mais baixa: 28,3% tinham contas em atraso.
Com base nesse recuo, medido pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) concluiu que os brasileiros ficaram menos endividados e inadimplentes no primeiro mês do ano. Levando em conta
Ao mesmo tempo, em nota, a CNC pondera que "por outro lado, o estudo mostra o crescimento da percepção de endividamento, com 15,9% da população considerando estar 'muito endividada', contra 15,4% no fechamento do ano passado. O sentimento é compatível com o comprometimento da renda: em janeiro, 20,8% dos brasileiros destinaram mais da metade dos rendimentos às dívidas, o maior porcentual desde maio de 2024. Em média, as famílias deslocaram 30% dos ganhos para esta finalidade".
A melhoria de desempenho familiar estaria associada à uma postura mais 'cautelosa', quando o assunto é a contratação de dívidas, ante um cenário de juros muito altos, marcado pela seletividade do crédito, variáveis responsáveis por uma percepção mais negativa a respeito do endividamento.