Um dos maiores acontecimentos teatrais de 2024 e do ano passado, o premiado monólogo "Não me entrego, não!", com Othon Bastos, inicia temporada popular em teatros da rede da Funarj com ingressos a R$ 20. Serão três espetáculos no Méier e dois em Gampo Grande. Aos 93 anos, o veterano ator revisita episódios de uma carreira que atravessa mais de sete décadas no teatro, no cinema e na talevisão em espetáculo com dramaturgia e direção de Flávio Marinho. A temporada integra o Giro Cultural da Funarj e começa de sexta e domingo (11 a 13) no Imperator e segue para o Teatro Arthur Azevedo, em Campo Grande, nos dias 18 e 19.
Desde sua estreia, "Não Me Entrego Não" soma mais de 250 apresentações e público superior a 100 mil pessoas em cidades de diferentes regiões do país.
Marinho construiu o texto a partir de escritos que Bastos lhe confiou, resultado de uma amizade de décadas. A peça organiza recordações por temas, como trabalho, amor, teatro, cinema e política, em vez de seguir uma cronologia estrita. A dramaturgia usa referências e citações de autores que marcaram a formação do ator. Em atuação memorável, Othon faz de sua biografia sem fazer dela uma simples sucessão de datas e títulos.
"É com o maior orgulho e alegria que eu vejo o sucesso nacional da peça. Mais de dois anos em cartaz contando a história de vida de um ator que se confunde com a história do Brasil", afirma Flávio Marinho. O autor e diretor destaca no texto o humor de Othon e sua disposição para rir de si mesmo.
A montagem, diz ele, nasceu de pesquisa minuciosa sobre acontecimentos decisivos da vida do artista, mas ganhou corpo para dialogar diretamente com o público.
Em cena, Othon contracena com Marta Paret, apresentada como uma espécie de "ponto" que comenta suas falas. O ator associa a presença à ideia de uma memória em cena, comparando-a, com humor, a uma assistente virtual. "É um momento único, mesmo: meu primeiro monólogo e sobre a minha própria vida", diz Bastos. "Quero que elas vejam quem eu sou e como sou."
O repertório de memória inclui passagens por cinema e teatro. Othon participou de uma obra-prima do Cinema Novo, "Deus e o Diabo na Terra do Sol" (1964), de Glauber Rocha, e esteve na peça "Um grito parado no ar", de Gianfrancesco Guarnieri, dois marcos de linguagens decisivas para o país. O espetáculo não se limita a citar esse currículo: transforma esses e outros momentos em pontos de reflexão sobre o trabalho de ator, a passagem do tempo e a permanência em atividade.
O ator recebeu o Prêmio Shell de Melhor Ator em 2024 pelo trabalho; no 19º Prêmio APTR de Teatro, levou o troféu de Melhor Ator Protagonista, enquanto Marinho foi reconhecido como Melhor Autor e a Gávea Filmes como Melhor Produção de Teatro Não-Musical. O espetáculo também aparece entre os premiados pelo Inspira Rio, pelo Arcanjo e pela Festa Internacional de Teatro de Angra. Prêmios não substituem a experiência de uma sessão, mas ajudam a explicar a continuidade de uma peça que não depende de efeitos de grande porte para conquistar o público.
SERVIÇO
NÃO ME ENTREGO, NÃO!
11 a 13/9, sexta (19h), sábado (18h) e domingo (17h): Imperator - Centro Cultural João Nogueira (Rua Dias da Cruz, 170, Méier)
18 e 19/9, sexta (19h) e sábado (18h): Teatro Arthur Azevedo (Rua Vítor Alves, 454, Campo Grande) Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia)
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