Cinema documental ganha espaço no streaming com o DOC Canal Brasil e Curta!On, com grades dedicadas a obras de tintas autorais
A casa do cinema brasileiro no streaming e na TV paga ganha um novo cômodo. O Canal Brasil acaba de inaugurar sua primeira plataforma dedicada exclusivamente ao documentário nacional. O DOC Canal Brasil chega ao mercado pelo Prime Video reunindo um acervo estimado em 2 mil produções entre filmes, séries e programas que abrangem diferentes períodos e vertentes do gênero no país. A iniciativa representa uma aposta na valorização de um segmento historicamente fundamental para o audiovisual brasileiro, mas que ainda enfrenta desafios de circulação e visibilidade.
O cinema documental ocupa importante espaço em nosso audiovisual, chegando a corresponder a 45% do total de produções nacionais. De acordo com o Anuário do Cinema Brasileiro, em 2024 a Ancine certificou 1.176 documentários brasileiros.
"Estamos lançando o streaming definitivo de documentários brasileiros, projeto pioneiro e um dos únicos do mundo, que vai englobar um universo documental muito completo. A ideia é popularizar, difundir e estimular a produção de obras documentais no Brasil", afirma André Saddy, diretor geral do Canal Brasil.
A plataforma estrutura sua proposta em torno de três eixos centrais: curadoria, que orienta a seleção do acervo; espelho, que busca refletir a diversidade cultural e social brasileira; e conteúdo, voltado para produções que conjuguem informação e potencial de entretenimento. Entre os diferenciais apresentados estão a presença de obras premiadas, a preservação de títulos raros digitalizados e o estímulo a novos realizadores.
O catálogo inicial traz nomes que marcaram a consolidação do documentário brasileiro. Da filmografia de Eduardo Coutinho, estão disponíveis "Cabra Marcado Para Morrer" (1983), "Santo Forte" (1999), "Babilônia 2000" (2000), "Edifício Master" (2002), "O Fim e o Princípio" (2005), "Jogo de Cena" (2007) e "Últimas Conversas" (2015). Também integram o acervo "Ônibus 174" (2001), de José Padilha, "Jango" (1984), de Silvio Tendler, "A Negação do Brasil" (2000), de Joel Zito Araújo, e "Que Bom Te Ver Viva" (1989), de Lúcia Murat.
A obra de João Moreira Salles aparece representada por "Entreatos" (2004), "No Intenso Agora" (2017), "Nelson Freire" (2003) e "Notícias de uma Guerra Particular" (1999). Entre as produções mais recentes, estão "Aeroporto Central" (2018), de Karim Aïnouz, "Bixa Travesty" (2018), de Kiko Goifman e Claudia Priscilla, "Antonio Candido - Anotações Finais" (2024), de Eduardo Escorel, "No Céu da Pátria Nesse Instante" (2025), de Sandra Kogut, e a série "Primavera nos Dentes - A História do Secos & Molhados" (2025), de Miguel De Almeida. Completam a lista títulos como "Uma Noite em 67" (2010), de Renato Terra e Ricardo Calil, "A Entrevista" (1966) e "Carmen Miranda: Bananas Is My Business" (1995), de Helena Solberg, além de "Rock Brasília - Era de Ouro" (2011) e "O País de São Saruê" (1971), de Vladimir Carvalho.