Gêneros variados e grifes autorais das mais ousadas se espalham pelos streamings numa seleção de pepitas que o Correio da Manhã garimpa atrás de diversidade no veio digital
O que não falta é coisa boa para ver em tela grande neste início de ano, tipo "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria", que rendeu a Rose Byrne o Prêmio de Interpretação na Berlinale, e "Jovens Mães", que assegurou aos Irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne a láurea de Roteiro no Festival de Cannes. Tem Selton Mello em "Anaconda"; tem a animação "Tainá e Os Guardiões da Amazônia"; e tem Wagner Moura em "O Agente Secreto", que pode dar a ele o Globo de Ouro. Paralelamente a essa oferta farta, os streamings estão apinhados de atrações. Cheque a seguir o que curtir nas plataformas.
LUTA DE CLASSES ("Highest 2 Lowest"), de Spike Lee (EUA): Fiel ao título de seu longa de abre-alas ("Faça a Coisa Certa"), o pilar maior das lutas antirracistas no cinemão lançou em Cannes este remake de "Céu e Inferno" (1963), de Akira Kurosawa (1910-1998). Num colosso de atuação, Denzel Washington vive o produtor musical David King que sofre uma chantagem milionária e vira Nova York do avesso para proteger o que é seu, tentando reaver o filho de seu melhor amigo (papel de Jeffrey Wright). Plataforma: Apple TV
CORPO CELESTE, de Alice Rohrwacher (Itália): Longa de estreia da realizadora de "A Quimera" (2023) e "As Maravilhas" (2014). Neste achado do Festival de Cannes, Marta, adolescente de 13 anos vivida por Yile Yara Vianello, mudou-se recentemente para o sul da Itália com sua mãe e irmã mais velha e luta para encontrar seu lugar, testando incessantemente os limites de uma cidade desconhecida e o catecismo da Igreja Católica. Plataforma: MUBI
TOCA ("Burrow", 2020), de Madeline Sharafian (EUA): Uma delícia de curta, indicado ao Oscar por sua precisão narrativa, que esbanja fofura em seu olhar sobre o mundo animal. Na trama, uma coelhinha cria um projeto de engenharia para construir a toca de seus sonhos. Mas, cavando a esmo, acaba se metendo em mil confusões, em um roteiro hilário. Plataforma: Disney
PERRENGUE FASHION (2025), de Flávia Lacerda (Brasil): Ingrid Guimarães segue sendo a maior diversão. Aqui, ela diverte no papel de uma fashionista atrapalhada. Na campanha que pode mudar sua carreira como influencer de moda, Paula Pratta (papel de Ingrid) só precisa de um item fundamental: o filho. Mas ele troca a faculdade de business na Califórnia por um instituto de permacultura na Amazônia. Ela parte em busca do garoto e encontra um mundo sem filtros e muito mais do que esperava. Plataforma: Prime Video Amazon
A CORDILHEIRA ("La Cordillera", 2017), de Santiago Mitre (Argentina): Agraciada com o troféu Platino (o Oscar da latinidade) de Melhor Trilha Sonora (coroando a excelência melódica de Alberto Iglesias), este thriller - lançado na França com o título de "El Presidente" - aborda um conclave de líderes políticos das Américas, tendo intrigas de corrupção e pecados afetivos pessoais em seus bastidores. Ricardo Darín é uma dessas lideranças. O Brasil está representado na figura do presidente Oliveira Prete, vivido com uma ironia saborosa pelo ator Leonardo Franco, da série "Preamar". Ele é o alvo e o inimigo de todos, menos do líder argentino, o atormentado Hernán Blanco. Esse papel ficou nas mãos de Darín. No elenco, destaca-se a dupla chilena Paulina García (de "Glória") e Alfredo Castro (de "O Clube") e o espanhol radicado em solo mexicano Daniel Giménez Cacho (de "Má Educação"). Plataforma: HBO MAX
ATLAS (2024), de Brad Peyton: Uma vibrante ficção científica sobre os riscos da robótica. Jennifer Lopez é uma analista de sistema misantrópica, com zero confiança em Inteligência Artificial, que é obrigada a repensar sua relação com a tecnologia para deter um sistema operacional renegado. No Brasil, Andrea Murucci dubla JLo. Plataforma: Netflix
PIEDADE (2019), de Claudio Assis (Brasil): Uma cidadezinha litorânea do Nordeste sofre com o trator capitalista chamado Aurélio (Matheus Nachtergaele), o representante de uma petroleira. Uma líder para aquela comunidade, Dona Carminha (Fernanda Montenegro) e seu filho mais velho, Omar (Irandhir Santos), representam resistência contra os interesses do empresário predador, que se envolve com um integrante desgarrado daquela família, Sandro (Cauã Reymond), dono de um cinema pornô. Plataforma: Globoplay