Prestes a ganhar série na HBO Max, o universo Lanterna Verde contagia as bancas (e amplia a venda) do selo 'Absolute', que reinventa os vigilantes da DC Comics, editora do Batman
Famoso pelo bordão "No dia mais claro, na noite mais densa, o Mal sucumbirá ante a minha presença!", o universo de super-heróis designados pela alcunha de Lanterna Verde chegou aos 85 anos em julho de 2025, festejando sua primeira aparição - lá em 1940, em "All-American Comics", n° 1 - numa busca por variados rumos. A trilha mais bem sucedida encontrada se chama "Absolute Green Lantern" e já está à venda no Brasil, muito bem traduzido pela Panini Comics, num precinho dos mais camaradas (R$ 19,90). Al Ewing escreve e Jahnoy Lindsay desenha.
A base da dramaturgia é a mesma do selo "Absolute", que virou a maior mina de ouro da editora DC Comics desde a HQ "Superman" n° 74 (com a morte do Homem de Aço), que vendeu seis milhões de exemplares em 1992. Essa premissa reformista consiste em reinventar vigilantes famosos. O conceito por trás dessa nova linhagem se baseia em revisitar heróis famosos da Liga da Justiça a fim de apresenta-los a novas e novíssimas gerações a partir de bases sociológicas da contemporaneidade. O Batman desse segmento, por exemplo, usa um machado e sangra seus adversários sem pena. Já Kal-El teve a chance de viver com seus pais biológicos em Krypton antes de sua ida à Metrópolis ser considerada.
O que se lê em "Absolute Green Lantern" é uma realidade onde o anel do poder esmeralda não é reconhecido e onde (ainda) não se fala numa Tropa de Lanternas. Um alienígena tamanho GG, o outrora ambíguo Abin Sur, chega à Terra e parece disposto a julgar todas as pessoas de Evergreen, incluindo a jovem Jo Mullein e o piloto Hal Jordan (apresentado aos nerds nacionais no desenho dos "Superamigos").
Mas esse ser alienígena é amigo, inimigo ou uma entidade neutra? E o que exatamente seu julgamento trará para nossa realidade? Jo parece ter herdado energias fora dos padrões humanos para combater o Mal. Jordan, por sua vez, está tomado por uma onda energética que se afina com as trevas, não com o Bem.
O volume dois, previsto para a segunda quinzena de abril explora mais ainda essa luta, com direito a um personagem a mais: Guy Gardner, levado às telonas no recente filme "Superman", do diretor James Gunn, onde foi vivido por Nathan Fillion. Famoso nas artes gráficas por seu penteado de cuia, o mais esquentado dos Lanternas agora, nessa linhagem de quadrinhos "Absolute", é representado como um xerife. Parece um tipo mais velho... um tanto mais moderado. O texto de Al Ewing não explica bem seu jeitão, por explorar mais a figura de Jo Mullein, num protagonismo feminino.
No passado, Jordan foi o mais popular portador da joia esverdeada que solidifica o desejo de seus detentores. Ou seja, precisa de um canhão cósmico, o anel cria um para você, verdinho. Até agora, nada se falou sobre o maior inimigo de Jordan, o possuidor do Anel Amarelo, o vilão Sinestro, que ganha espaço num encadernado ("A Saga do Lanterna Verde" n° 7) que a Panini acaba de mandar para as bancas. Outra saga importante já às vendas é "Confronto Psíquico", com o Lanterna John Stewart, popularizado entre nós em desenhos exibidos no SBT.
Para entender melhor essa linhagem de guardiões do cosmos, vale dar uma percorrida sem pressa no site www.panini.com.br e caçar o encadernado "Lanternas Verdes: Gladiadores Esmeralda". Nele, Gardner e seus colegas Kilowog e Arísia exploram os setores desconhecidos da galáxia, determinados a iluminar com sua luz verdejante os cantos mais sombrios dos territórios desconhecidos para trazer ordem ao universo. Mas qual seria a missão secreta de Gardner para o maligno Lanterna Vermelho, Atrócitus, que o colocará em conflito com Hal Jordan? Ao longo de 304 páginas, esse tijolaço reúne artistas gráficos como Bernard Chang, Daniel HDR, Fernando Pasarin, Peter J. Tomasi e Tony Bedard.
As aventuras narradas por essa turma salpicam informações sobre a origem de Gardner no mercado editorial. Ele foi criado por John Broome e Gil Kane em "Green Lantern (vol. 2)" n° 59, em março de 1968, embora esse ferrabrás tenha sido alterado significativamente na década de 1980 por Steve Englehart e Joe Staton, que o transformaram em uma paródia chauvinista de um americano ultra macho. Esse continua sendo o arquétipo do personagem até hoje. Quando Englehart começou a escrever, John Stewart, um Lanterna associado a lutas antirracistas, era o personagem-título. Englehart inicialmente se perguntou o que impedia que vários Lanternas Verdes estivessem ativos ao mesmo tempo. Com isso, reformulou Gardner, que ganhou ainda mais adesão (e volume de vendas) ao entrar para a Liga da Justiça Internacional, numa saga de tramas escritas por J.M. DeMatteis e Keith Giffen e ilustradas por Kevin Maguire.
Existem muitos Lanternas famosos além de Gardner. Um deles é Alan Scott, o Lanterna da década de 1940, repaginado pela DC a partir de conflitos pessoais. Gay, ele enfrenta o preconceito contra populações queer num álbum que leva seu nome, editado pela Panini.
Em agosto, a HBO Max vai expandir as fronteiras dessa franquia de quadrinhos ao estrear a série "Lanternas", com Kyle Chandler como Hal Jordan e Aaron Pierre de John Stewart. Caberá ao ator Ulrich Thomsen viver Sinestro.