Sete anos depois de "Matriz", Pitty anuncia para outubro seu sexto álbum de inéditas e diz ter recuperado a espontaneidade dos tempos em que compunha sozinha no quarto, em Salvador.
Neste intervalo a cantora circulou por outros projetos e pelos palcos, mas também decidiu diminuir o ritmo e experimentar algo pouco comum numa carreira construída sob exposição permanente: parar. Dessa pausa nasceu "PITTY", sexto álbum autoral da baiana, que chega às plataformas digitais em 16 de outubro, pela Deck. E, no dia seguinte, ela inicia a turnê de lançamento do disco com datas já confirmadas em dez cidades.
O título homônimo já indica o caráter pessoal do projeto. Pela primeira vez, Pitty batiza um álbum com o próprio nome, num trabalho em que assume não apenas letras, melodias e riffs, mas a direção geral, a coprodução musical e a concepção estética e narrativa.
Aos 48 anos e com mais de duas décadas de carreira desde a explosão nacional de "Admirável Chip Novo", de 2003, a cantora descreve o momento quase como um recomeço.
"Tenho dito que estou fazendo o primeiro disco da minha vida, porque essa é a sensação. As coisas vêm na hora em que precisam vir. Depois de sete anos, surgiu um jeito novo de criar e eu me permiti seguir esse movimento sem tentar controlar o que estava acontecendo", conta.
Depois de construir uma das trajetórias mais reconhecíveis do rock brasileiro deste século, Pitty procura a liberdade como se ainda fosse uma iniciante. O período longe da rotina intensa de shows abriu espaço para rever escolhas e, principalmente, voltar a compor sem a obrigação imediata de transformar as músicas em um álbum.
E foi assim que o novo repertório começou a aparecer, no fim de 2025. "Eu ainda não estava pensando em fazer um álbum. Mas veio um troço, a caneta começou a fritar, a caneta ferveu, e eu fui deixando. Me abri totalmente para aquilo que estava acontecendo. Esse disco se fez e se impôs. Eu fui tomada por ele", afirma.
O processo a levou de volta, simbolicamente, ao quarto em Salvador onde escrevia antes mesmo de "Admirável Chip Novo". Nesses mais de 20 anos de experiências, Pitty conquistou uma posição peculiar na música brasileira. Surgiu num universo do rock ainda fortemente masculino e atravessou mudanças profundas no mercado fonográfico. Discos como "Anacrônico", "Chiaroscuro", "Setevidas" e "Matriz" registraram diferentes etapas desse percurso, enquanto canções como "Máscara", "Equalize", "Admirável Chip Novo" e "Me Adora" permaneceram obrigatórias em todas as suas apresentações.
O intervalo desde "Matriz" foi o maior entre dois álbuns de inéditas de sua carreira. Por isso, "PITTY" carrega inevitavelmente a expectativa de revelar o que a pausa alterou em sua música. Por enquanto, a cantora prefere apresentar o disco aos poucos. O vídeo-manifesto divulgado há alguns dias abre esta nova etapa, cujos próximos movimentos ainda se farão revelat até 16 de outubro.
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