Lenda do metal progressivo apresenta 'Parasomnia', seu novo álbum, no Vivo Rio na reta final da turnê que percorreu seis capitais brasileiras
Para uns, é uma banda de metal. Para outros, de rock progessivo. O fato é que o Dreeam Teather construiu um caminho próprio na cena global. Hoje, com John Petrucci, John Myung, Mike Portnoy, James LaBrie e Jordan Rudess, o quinteto volta ao Brasil em maio para uma série de shows que celebra o novo álbum "Parasomnia" e também sua permanência nessas últimas quatro décadas. A apresentação no Vivo Rio, neste domingo (10), às 20h, é a penúltima deste giro brasileiro que passou por São Paulo, Brasília, Curitiba e Porto Alegre e se encerra na terça-feira em Belo Horizonte.
Quando a banda se formou em 1985 em Boston, sob o nome Majesty, ninguém imaginava que ela se tornaria a força motriz do metal progressivo. Parasomnia, lançado em 7 de fevereiro de 2025, é o 16º álbum de estúdio do Dream Theater e marca um momento significativo: o retorno de Mike Portnoy à bateria. Portnoy é membro fundador da banda e havia saído em 2010, retornando agora após 15 anos de trabalho na composição do disco. É o primeiro álbum com o quinteto original desde "Black Clouds & Silver Linings" (2009). O álbum estreou em primeiro lugar nas paradas Billboard Top Hard Rock Albums e Hard Music Albums, vendendo mais de 18 mil unidades na primeira semana — um feito notável para uma banda do gênero. Também alcançou a 41ª posição na Billboard 200, demonstrando a dedicação de uma base de fãs que permanece leal mesmo em um gênero que nunca foi mainstream.
O título "Parasomnia" refere-se a distúrbios do sono perturbadores — sonambulismo, paralisia do sono, pesadelos. Produzido por John Petrucci, o álbum foi mixado por Andy Sneap e conta com a arte de capa de Hugh Syme, que retorna mais uma vez para contribuir com seu olhar para a discografia da banda. Desde a faixa de abertura, "In The Arms Of Morpheus", até o encerramento com "The Shadow Man Incident", o disco explora temas de sonhos, consciência e as linhas tênues entre realidade e ilusão.
Petrucci descreveu o processo criativo como uma busca por recapturar a energia dos primeiros trabalhos da banda. "Usamos coisas realmente estranhas, como o acorde de 'Tristão' e o de 'Prometeu', para dar um clima místico a algumas das músicas", comentou o guitarrista.
O retorno de Portnoy foi essencial para esse tom mais agressivo e direto. "Parasomnia é nosso álbum mais aventureiro, energético e metalicamente sombrio em mais de uma década", afirmou Petrucci em entrevista. Portnoy, por sua vez, destacou que não ser co-produtor desta vez permitiu que ele se focasse inteiramente na performance. "Pude concentrar toda minha energia na bateria, e acho que isso fez diferença", comentou o baterista.
A história do Dream Theater é a história de como uma banda pode se reinventar sem perder sua essência. Formado inicialmente por Petrucci, Myung e Portnoy, o grupo evoluiu com a adição de James LaBrie nos vocais e, posteriormente, Jordan Rudess nos teclados. Ao longo de quatro décadas, o Dream Theater não apenas sobreviveu — prosperou em um gênero que é, por definição, marginal. Enquanto a indústria da música se movimentava em direção ao pop e ao hip-hop, o Dream Theater mantinha acesa a chama do progressivo.
A turnê brasileira de 2026 segue o formato "Uma Noite Com o Dream Theater" (An Evening With Dream Theater), que oferece aos fãs um mergulho profundo na obra da banda. O setlist inclui Parasomnia na íntegra, celebra o 30º aniversário de A Change of Seasons — um dos discos mais aclamados da banda — e traz outros clássicos e favoritos dos fãs. Petrucci reconheceu que executar o álbum completo pode parecer "um pouco auto-indulgente", mas garantiu que "tem sido uma explosão" para a banda. "Cada noite é uma oportunidade de explorar essas composições em profundidade", afirmou.
Críticos e fãs receberam "Parasomnia" como um retorno do Dream Theater à sua velha forma. A presença de Mike Portnoy na bateria adiciona uma dimensão que vai além da nostalgia — é um músico fundador do grupo retornando com novas ideias, trazendo uma precisão rítmica que marca toda a obra.
Esta é a segunda série de shows da banda no Brasil em 2026, após a bem-sucedida turnê de 40º aniversário que passou pela América Latina no início do ano. Seu retorno em curto espaço de tempo é prova da força de sua base de fãs e da relevância que a América Latina representa para a banda.
SERVIÇO
DREAM THEATER — PARASOMNIA
Vivo Rio (Av. Infante Dom Henrique, 85 — Parque do Flamengo) | 10/5, às 20h
Ingressos a partir de R$ 700 e R$ 350 (meia)