Por: Affonso Nunes

Os muitos tons (e sons) de Giuliano Eriston

Giuliano Eriston experimentou ampliar as paletas sonoras de seu novo disco | Foto: Nando Chagas/Divulgação

Cantor e compositor cearense revela ecletismo musical em 'Politonia', seu segundo trabalho autoral

Giuliano Eriston acaba de lançar "Politonia", seu segundo álbum autoral. O cantor e compositor cearense trata o novo trabalho como uma mudança significativa em sua trajetória musical e retoma a parceria com o produtor Pedro Baby, com quem trabalhou no EP "Giuliano Eriston Canta Sérgio Sampaio" (2024). O ecletismo está no DNA desta politonia que alterna ritmos como maracatu, jazz, xote e R&B, com o artista cantando em português, inglês e francês.

Eriston conta que esta nova safra de canções é fruto de sua mudança de Fortaleza para o Rio, refletindo novas paixões, humores mais excitados e um tom crítico que não havia explorado em seus lançamentos anteriores.

O título é um neologismo criado pelo próprio artista para expressar sua busca por contrapor-se à monotonia de ideias — especialmente musicais — e abraçar a diversidade e multiplicidade do mundo. Na produção musical, Pedro Baby investigou as minúcias do material gravado para definir as sonoridades de cada faixa.

"É uma espécie de contraposição ao meu primeiro álbum 'Universo em Si', que tem uma paleta de cores bem restrita porque a instrumentação foi mais simples", explica Giuliano. No novo trabalho, o artista atua em múltiplas frentes: canta, compõe, arranja e toca diversos instrumentos. Pedro Baby comenta que "a música, a poesia e as interpretações de Giuliano Eriston reconectam novas gerações à essência da MPB".

O álbum abre com "Lucidez", faixa íntima que mergulha em conflitos internos mas aponta para esperança e tempos melhores. Na sequência, "Gosto do Gesto" e "Festa no Infinito" conduzem para um território mais leve, explorando enamoramento e sensações de encantamento. "Corpo de Candiá", faixa de trabalho, surge como um ritual noturno. Giuliano conta que a música nasceu ouvindo Moreno Veloso e explorando a musicalidade de palavras indígenas e africanas. Maturada ao longo de um ano e meio, a canção celebra a noite e sua magia. Moreno Veloso aceitou participar da gravação.

"Borogodó" traz tom irônico e bem-humorado para uma história de paquera frustrada. É a única parceria do álbum, composta com Pedro Baby e Gustavo Pereira — reafirmando a colaboração entre Giuliano e seu produtor. "Não Pro Sim" e "Vem Me Relembrar" mergulham em emoções densas, abordando desengano e saudade. Na reta final, "Teia" e "Waiting" retomam um olhar crítico, refletindo sobre questões sociais e políticas contemporâneas que atravessam a geração de Giuliano.

Nascido em berço artístico em Bela Cruz (CE), Giuliano revelou seu talento aos 13 anos ao fazer seu primeiro show solo no Festival Choro Jazz em Jericoacoara. Em 2021, foi o vencedor do reality show musical The Voice Brasil (TV Globo) e, ano seguinte, lançou seu primeiro álbum autoral "Universo em Si", produzido por Kassin, com parcerias de Ronaldo Bastos e Dirceu Leite.