Por: Affonso Nunes

Paulinho da Viola, o mais elegante dos sambistas

Paulinho da Viola durante show da atual turnê em que revista sambas esquecidos e reverencia os grandes mestres do gênero | Foto: Marcos Oliveira/Divulgação

Um dos filhos mais queridos do samba celebra seis décadas de carreira com em busca de sambas esquecidos neste sádado (18) no palco do Qualistage

Paulo César Batista de Faria, conhecido mundialmente como Paulinho da Viola, sobe ao palco do Qualistage neste sábado (18) para um show que marca mais um capítulo de uma carreira que se estende por seis décadas. "Quando o Samba Chama" é um convite para celebrar a permanência de uma obra que não apenas ilumina, mas convoca — como diz um de seus próprios versos — a repartir a luz.

Seu chasmado para o samba era mais do que natural. Paulinho cresceu em um ambiente profundamente musical. Filho do violonista Cesar Faria, teve desde cedo contato com grandes nomes da música brasileira. Em sua casa circulavam artistas como Pixinguinha e Jacob do Bandolim, referências fundamentais que moldaram sua formação e sua visão da música popular. Essa herança não apenas o definiu como músico, mas também como guardião de uma tradição que ele reinventa a cada apresentação.

Sua carreira, iniciada em 1965, consolidou-o como um dos maiores ícones do samba e da música popular brasileira. Ao longo de quase seis décadas, lançou 20 discos e construiu uma obra marcada pela elegância e sofisticação, sempre enraizada na tradição da cultura popular. Clássicos como "Foi um rio que passou em minha vida", "Coração Leviano", "Pecado Capital", "Timoneiro" e "Dança da Solidão" não apenas conquistaram o público, mas dialogam com diferentes tradições musicais — do choro ao samba, do universo das escolas de samba à vanguarda dos anos 1960.

Na poesia de Paulinho da Viola, o mar surge como símbolo recorrente de grandeza, mistério e destino. Canções como "Mar Grande", "Cidade Submersa", "Timoneiro", "Pra jogar no oceano" e "Argumento" encontram na força da água um simbolismo para questões do amor e do destino. Mas há outra metáfora menos conhecida em sua obra: a da chama. Não é o mesmo que o fogo, que arde e representa paixão e impulso. A chama é o que permanece vivo por um longo tempo, o que não se extingui ainda que muitos pensem que não está mais lá. A chama é perene.

Neste novo show, Paulinho da Viola vai em busca de sambas que não toca nos palcos há algum tempo, ao lado de grandes sucessos que não podem faltar: "Foi um rio que passou em minha vida", "Argumento", "Onde a dor não tem razão" e "Pecado Capital", entre outros. O programa reafirma sua importância não apenas como intérprete, mas como compositor que dialoga com a história da música brasileira de forma singular.

Aos 83 anos, Paulinho da Viola continua em atividade, com apresentações agendadas em diferentes cidades brasileiras. Sua permanência nos palcos não é nostalgia, mas continuidade de uma obra que segue gerando significado. Como ele mesmo canta: "Mas se o tempo se acha no sol do poente / E do céu se retira um pedaço do azul / O poeta ressurge e lança no ar a semente / E reparte feliz a sua luz / Quando o samba chama".

A relevância de sua obra transcende o sucesso popular. Falar da música popular brasileira é, inevitavelmente, abrir espaço para a trajetória e contribuição singular de Paulinho da Viola. Sua influência atravessa gerações — tanto aqueles que o acompanham há décadas quanto aqueles que a cada dia descobrem em sua obra um novo mar de poesia e música.

SERVIÇO

PAULINHO DA VIOLA - QUANDO O CHAMA SAMBA

Qualistage (Via Parque Shopping - Av. Ayrton Senna, 3000, Barra da Tijuca)

18/4, às 21h30

Ingressos a partir de R$ 65