Aveludado num binômio exemplar de disciplina e talento, o vozeirão de Alessandra Verney tem colaborado para angariar público - dos mais volumosos - para o teatro musical brasileiro com frequência, desde o início dos anos 2000, quando os sucessos "Cole Porter - Ele Nunca Disse Que Me Amava" e "7 - O Musical" atestaram seu status de ave canora nos palcos. Em paralelo, ela botou no bolso os tímpanos - e os corações - de quem viu o filme "Apolônio Brasil - O Campeão da Alegria" (2003) em tela grande. Este ano, ela vai brilhar na telona outra vez em "Querido Mundo", que Miguel Falabella - seu parceiro habitual - filmou em P&B, em duo com Hsu Chien Hsien (outro colaborador recorrente da estrela gaúcha). No dia 7 de abril, o longa-metragem, baseado na peça teatral do eterno Caco Antibes, vai abrir o Festival du Cinéma Brésilien de Paris, na França. Antes disso, nesta quinta-feira (26), Verney tem um compromisso com o Teatro Claro MAIS RJ, em Copacabana, às 20h. Aquele templo das artes cênicas servirá de berço, em solo carioca, para "unpluGAGA", um tributo acústico à cantora e atriz nova-iorquina Stefani Joanne Angelina Germanotta, mais conhecida como Lady Gaga.
No show, a diva por trás de hits como "Bad Romance" e "Shallow" será celebrada de forma singular pela voz marcante de sua intérprete brasileira em arranjos que valorizam a essência das composições. No papo a seguir, Verney conta ao Correio da manhã o que prepara.
De que maneira a Lady Gaga reestrutura o ideal de diva pop que vem lá de Cher e Madonna?
Alessandra Verney - É a partir de suas composições e de sua performance como intérprete, que não se restringe somente ao pop - sem falar que ela é uma exímia instrumentista. Ela já mostrou que canta o que quiser e o quanto é obstinada por atingir a perfeição em cada interpretação. Gaga deixa a sua marca em tudo o que faz, tem muita personalidade. É uma artista que usa e abusa dos recursos teatrais dentro da sua trajetória, o que também é um grande diferencial.
O que mais te surpreende no registro vocal de Gaga, como cantora, e como as atuações dela no cinema foram importantes para a consolidação do seu olhar sobre a persona da cantora?
Alessandra Verney: Quando você escuta os primeiros álbuns e o que a voz dela se tornou hoje, dá pra perceber de cara que ela é uma cantora que nunca se acomodou e que continua estudando - e se superando. Com o passar dos anos, a voz dela tem ganhado dimensões cada vez maiores, não só de extensão vocal, mas em qualidade de performance mesmo. Acho um deleite assistir aos videos ao vivo em que ela se apresenta, de diferentes gêneros em variados eventos, porque você vê que ela está sempre muito preparada. Eu me tornei fã, de fato, quando assisti ao "Nasce uma Estrela". Já gostava dela, mas confesso não era muito ligada no seu trabalho. Conhecia o básico. Ao ouvir a trilha sonora e depois ao assistir ao filme, fiquei muito impressionada com potência da voz dela, que apesar de ser a sua voz, estava totalmente a serviço da personagem. Não havia ego ali. Isso, junto à sensibilidade dela como atriz, emocionou-me muito. Aliás, a entrega dela me emociona e me move como artista também, pois é nisso que eu acredito. Lembro também quando vi a apresentação dela no Oscar, com "The Sound of Music", o quanto fiquei impressionada com a voz e a interpretação dela. Foi muito inesperado vê-la naquele universo de Rodgers & Hammerstein.
O que podemos esperar do repertório da sua nova criação teatral, a partir de Gaga?
Uma exaltação muito sincera e cheia de afeto à essa artista única. Como tudo o que ela faz é sempre muito imbatível e grandioso, eu busquei justamente a simplicidade para poder prestar essa homenagem aos grandes hits da carreira dela, com esse formato unplugged. A ideia não é me inspirar na voz dela, mas sim cantar e interpretar a partir do meu sentimento e admiração em relação à sua obra. Acredito que essa será a chave de conexão com o público.
Você tem uma atuação impecável em "Querido Mundo", dirigido por seu habitual parceiro Miguel Falabella - realizado em dupla com Hsu Chien Hsin. O que Falabella te oferece de mais surpreendente a cada nova parceria de vocês?
O Miguel é literalmente um anjo em minha vida. Um ser humano único que sempre me faz crescer como profissional e também como pessoa. Estar em cena ou ser dirigida por ele, é como estar em casa. Sempre me sinto à vontade e também aprendo muito. É sempre uma caixinha de surpresas! Ele nunca deixa a gente se acomodar, pois está sempre em movimento constante. A vitalidade dele é contagiante. Olha, foram tantas parcerias que até já perdi a conta. Entre cinema, teatro, TV e teatro musical, acredito que foram nove trabalhos juntos e, se tudo der certo, estamos indo para o décimo esse ano ainda...
Que novos projetos você tem com a canção para o ano?
Dentro do projeto "unpluGAGA", vou lançar um single com a versão acústica de "Bad Romance", assinada pelo renomado produtor musical André Moraes (reconhecido pela trilha de "Lisbela e o Prisioneiro") que vai ganhar as plataformas em breve. Além desse single, também estou finalizando o meu primeiro álbum solo, que é quase 100% autoral, também produzido também por ele. Essa parceria com o André é maravilhosa porque ele tem essa ligação forte com o cinema, que é uma das minhas grandes paixões. Será a realização de um sonho, pois a minha trajetória profissional começou na música, antes de eu trabalhar como atriz.