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De volta em grande estilo

Affonso Nunes

Dezesseis anos. Foi o tempo que Peter Frampton levou para voltar ao estúdio com material totalmente novo. "Carry the Light", com lançamento em 15 de maio e que marca seu primeiro álbum inédito desde 2010. Aos 75 anos, o guitarrista britânico que revolucionou a música com o talk box nos anos 1970 ainda tem coisas a dizer. Desta vez, porém, ele não está sozinho. Seu filho Julian, também músico, coescreveu e coproduziu o disco com ele.

A trajetória de Frampton é longeva. Aos 16 anos, em 1966, ele se juntou ao The Herd, uma banda britânica de rock que marcou presença na cena dos anos 1960. Depois, em 1969, co-fundou o Humble Pie ao lado de Steve Marriott, ex-vocalista do Small Faces, consolidando-se como um dos primeiros supergrupos daquela época.

Mas foi como artista solo que Frampton alcançou a estratosfera. Em 1976, lançou "Frampton Comes Alive!", um álbum ao vivo que se tornou um fenômeno cultural incontestável. Com quase 20 milhões de cópias vendidas no mundo, segue como um dos álbuns ao vivo mais vendidos de todos os tempos — um feito que poucos conseguem repetir em cinco décadas de carreira.

O sucesso de "Frampton Comes Alive!" foi tão avassalador que quase destruiu sua carreira antes dela realmente começar. "Senti que havia perdido antes de começar a próxima parte da minha carreira", confessou Frampton em entrevista recente. "Antes não havia nada com que competir. Agora sentia que estava competindo comigo mesmo." Mas ele perseverou, construindo um legado que transcende aquele álbum icônico. Sua maestria com a guitarra e o uso inovador do talk box — aquele efeito que faz a guitarra "falar" — tornaram-no um dos guitarristas mais celebrados da história do rock.

Agora, "Carry the Light" reflete o presente do músico ancorado nos desafios, mudanças e conexões dos últimos anos. O título carrega peso simbólico: para Frampton, a "luz" representa sabedoria, algo a ser transmitido adiante. O álbum é essencialmente pessoal, fruto em grande medida da experiência de criá-lo ao lado do filho. Chuck Ainlay, engenheiro e coprodutor do projeto, resumiu bem: "As músicas são muito marcantes, e a voz dele amadureceu de uma forma que transmite exatamente o que ele quer expressar."

O elenco que o acompanha é de fazer inveja. Sheryl Crow divide vocais em "Breaking the Mold"; Bill Evans toca saxofone em "Can You Take Me There" e "Tinderbox"; H.E.R. participa da instrumental "Islamorada" com sua guitarra; Tom Morello traz intensidade para a faixa de protesto "Lions at the Gate"; Graham Nash adiciona harmonias em "I'm Sorry Elle"; e Benmont Tench, tecladista do Tom Petty & The Heartbreakers, toca em "Buried Treasure". Nenhum deles hesitou. Todos aceitaram prontamente colaborar com um artista que há mais de seis décadas espalha boa música pelo mundo.

"Buried Treasure", o single já disponível, é exemplar dessa abordagem. É uma homenagem ao falecido Tom Petty e ao programa de rádio homônimo da SiriusXM que ele apresentou por 15 anos. Mas aqui está o detalhe criativo: a letra foi construída inteiramente com títulos de canções de Petty. Frampton convidou pessoalmente Benmont Tench para adicionar seu estilo característico à faixa — um gesto que honra o colega desaparecido sem cair em sentimentalismo óbvio.

Em 2024, Frampton entrou para o Rock & Roll Hall of Fame, consolidando seu lugar entre os guitarristas mais influentes da história. A induction foi apresentada por Roger Daltrey, do The Who, e incluiu uma performance memorável de "Do You Feel Like I Do?" ao lado de Keith Urban. Antes disso, em 2023, lançou um álbum ao vivo gravado no Royal Albert Hall e o box "Frampton@50", celebrando cinco décadas de carreira com edições especiais em vinil. Em 2020, publicou sua autobiografia "Do You Feel Like I Do?: A Memoir", que entrou na lista de best-sellers do The New York Times, oferecendo uma visão íntima de sua vida e carreira. Em 2021, durante a pandemia, Frampton entrou em estúdio para gravar o excelente "Frampton Forgot The Words", com versões instrumentais para canções de seu gosto pessoal escritas por outros compositores.

"Carry the Light" será lançado em CD e vinil. A pré-venda já está disponível na UMusic Store, da Universal Music. O álbum é o primeiro resultado dessa parceria entre pai e filho, que Frampton descreve como "uma das primeiras de muitas colaborações".