Por: Affonso Nunes

É sempre hora de ouvir 'Os Afro-Sambas'

Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker contam que levaram anos planejando o espetáculo | Foto: Divulgação

Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker celebram no Manouche os 60 anos da obra-prima Baden Powell e Vinicius de Moraes

Gravado em 3 de janeiro de 1966 e lançado no em fevereiro daquele ano pela gravadora Forma, Os Afro-Sambas nasceu de um encantamento compartilhado. Baden Powell e Vinicius de Moraes tinham ido à Bahia e voltado tomados pela musicalidade do candomblé e do samba de roda — tanto que chegaram a morar juntos por quase três meses, escrevendo sem parar. O resultado? Uma revolucionária fusão entre o samba, a bossa nova e as raízes africanas do Brasil, mediada pela percussão religiosa dos atabaques, afoxés e agogôs, pelos sopros de Copinha e pelos arranjos do maestro César Guerra-Peixe, com o Quarteto em Cy nos vocais.

"Os Afro-Sambas deu à cena musical brasileira uma sonoridade envolvente fora de qualquer categoria existente até então. Suas oito faixas, sem exceção, se tornaram standards. "Canto de Ossanha" - mais popular delas - figura entre as dez maiores músicas brasileiras de todos os tempos segundo a Rolling Stone Brasil. E "Tempo de Amor" ganhou uma das versões mais memoráveis de Elis Regina.

Para celebrar esse aniversário, o cantor Marcos Sacramento e o violonista Zé Paulo Becker sobem ao palco do Manouche nesta quinta-feira (5) com o espetáculo "Afro-Sambas 60 anos". Os ingressos estão esgotados. Em formato voz e violão, a dupla revisita na íntegra o repertório do álbum e amplia a experiência com canções que orbitam o mesmo universo, como "Berimbau" e "Labareda". O show, revela a dupla, foi amadurecido ao longo de mais de uma década.

Com 21 discos lançados, prêmios e turnês internacionais, Sacrameto domina a divisão do samba como poucos. Responsável pelos arranjos e pela direção musical do espetáculo, Becker construiu trajetória respeitada como solista e como integrante do Trio Madeira Brasil, acumulando 11 discos e colaborações com Ney Matogrosso e Elza Soares. "Baden foi fundamental para levar o violão brasileiro a novos horizontes e afirmar sua grandeza como compositor popular", destaca o músico.

SERVIÇO

MARCOS SACRAMENTO E ZÉ PAULO BECKER - AFRO-SAMBAS 60 ANOS

Manouche (Rua Jardim Botânico, 983)

5/3, às 21h

Ingressos esgotados