Por: Affonso Nunes

Theatro Municipal divulga sua temporada 2026

Imagem de concerto da temporada 2025 do Theatro Municipal | Foto: Daniel Ebendiger/Divulgação


Uma ópera que não subia ao palco há oito décadas, um centenário de Puccini, os 270 anos de Mozart e um balé com sessões esgotadas em 2025 que volta com ainda mais expectativa. A temporada 2026 do Theatro Municipal chega com seis óperas, quatro balés e três concertos, de março a dezembro, com os corpos artísticos da casa — Orquestra Sinfônica, Coro e Ballet — no centro de tudo. Em cinco anos consecutivos de gestão artística consolidada, o Municipal reafirma sua posição como o principal espaço lírico do país e avança na construção de um público cada vez mais plural e diverso.

"Desenhar uma quinta Temporada Artística Oficial consecutiva no maior palco lírico do Brasil é uma honra e alegria imensas", afirma Eric Herrero, diretor artístico da Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro. "Traremos programas de alta qualidade protagonizados pelos Corpos Artísticos da casa — Coro, Ballet e Orquestra — com grandes artistas convidados. O Theatro Municipal do Rio de Janeiro segue produzindo, revelando artistas, formando profissionais em diversas áreas do nosso setor, valorizando sua vocação, que são o Ballet, a Ópera e a Música de Concerto." Para Clara Paulino, presidente da Fundação, abrir o Theatro para mais uma temporada tem sabor de conquista coletiva: "O Ballet, o Coro, a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro trazem sempre o que há de melhor para nosso público."

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A Grande Missa em Dó Menor - K427, de Mozart, abre a programação do Municipal no dia 13 | Foto: Imagem criada com a IA Flux Kontext Pro

Março

A temporada tem abertura oficial marcada para o dia 13, às 19h, com a execução da "Grande Missa em Dó Menor — K427", de Mozart, interpretada pelo Coro e pela Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal (OSTM), sob regência do maestro titular Felipe Prazeres. Antes do concerto, um mimo: o público será recepcionado por uma apresentação dos Pequenos Mozart nas escadarias do Theatro. 2026 marca os 270 anos de nascimento do compositor austríaco, e a obra, de imponente escala coral e profundidade espiritual, é um dos pontos mais altos de seu catálogo — mesmo inacabada. "A 'Grande Missa em Dó Menor' inspira profundidade e espiritualidade e representa um dos momentos mais marcantes do maior prodígio de todos os tempos", celebra Prazeres.

Ainda em março, a OSTM apresenta, nos dias 21 e 22, sempre às 16h, o "Concerto Didático" — um dos projetos mais acessíveis e populares da programação da casa, voltado ao encontro entre o grande público e o universo orquestral. Com texto de Eric Herrero, direção cênica de Daniel Salgado e regência de Anderson Alves, o concerto percorre repertório que vai de Villa-Lobos e Oscar Lorenzo Fernández a Vivaldi, Bach, Mozart, Beethoven, Rossini e Tchaikovsky, contando ainda com a participação da bailarina Liana Vasconcelos e do palhaço Marshmallow, interpretado por Ludoviko Vianna.

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'Carmina Burana', de Carl Orff, volta a ser montada este ano | Foto: Daniel Ebendinger/Divulgação

Abril

Em abril, entre os dias 8 e 12, "Carmina Burana" retorna ao palco. A obra de Carl Orff, apresentada em 2025 com sessões esgotadas, volta ao Municipal em formato de ópera-balé, com concepção e direção cênica de Bruno Fernandes e Mateus Dutra, e direção musical e regência de Victor Hugo Toro. A leitura cênica contemporânea da peça, composta em 1935-1936 com base em poemas medievais, é um dos espetáculos mais aguardados do primeiro semestre.

Maio

Maio traz "La Fille Mal Gardée", um dos balés mais antigos ainda em repertório ativo. A versão original foi apresentada em 1789, no Grand Théâtre de Bordeaux, e ganhou nova dimensão em 2024, quando a coreografia do uruguaio Ricardo Alfonso — criada para o Ballet Nacional Sodre, de Montevidéu — foi recebida com entusiasmo pelo público carioca. A produção retorna agora ao Municipal, novamente com coreografia e concepção de Alfonso e regência de Jésus Figueiredo, com o Ballet e a Orquestra Sinfônica da casa. As apresentações ocorrem nos dias 14 a 24 de maio, em récitas às 19h e às 17h nos finais de semana.

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Francisco Mignone no Café do Theatro Municipal em 1978 | Foto: Acervo CEDOC/FTMRJ

Junho

Junho é o mês da música brasileira. O projeto "Música Brasileira em Foco" homenageia três compositores fundamentais da história do concerto nacional: Francisco Mignone, cujo falecimento completa 40 anos, com a obra "Festa nas Igrejas"; Radamés Gnattali, que teria completado 120 anos, com a "Brasiliana nº 1"; e César Guerra-Peixe, representado pelo "Concertino para Violino e Orquestra". O concerto único acontece no dia 17, às 19h, com a OSTM e o violinista Ricardo Amado em destaque, sob regência de Felipe Prazeres.

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Carlos Gomes (1836-1896), compositor e maestro | Foto: Reprodução

Julho

O mês de julho reserva um dos momentos mais emblemáticos da temporada: a comemoração dos 117 anos do Theatro Municipal, em 14 de julho, com a estreia de "Salvator Rosa", ópera de Antônio Carlos Gomes. A obra retorna ao palco da casa após oito décadas de ausência — um evento que, por si só, justificaria o interesse do público melômano. A montagem homenageia os 190 anos de nascimento e os 130 anos de morte do compositor campineiro, com concepção e direção cênica de Julianna Santos, coreografia de Hélio Bejani, direção de movimento de Márcia Jaqueline e direção musical e regência de Luiz Fernando Malheiro. As récitas se estendem até 18 de julho.

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Márcia Jaqueline como Kitri em 'Don Quixote' | Foto: Daniel Ebendinger/Divulgação

Agosto

Em agosto, é a vez de "Don Quixote". O balé de Ludwig Minkus, com libreto e coreografia originais de Marius Petipa e remontagem de Jorge Teixeira, é um dos títulos mais exuberantes do repertório clássico — estreado no Teatro Bolshoi de Moscou em 1869, conquistou plateias do mundo inteiro com sua melodia brilhante e vigoroso sabor espanhol. Com regência de Tobias Volkmann e direção geral de Hélio Bejani, a temporada contará com dez récitas, entre 20 e 30 de agosto, incluindo uma sessão especial do Projeto Escola Arte Educação no dia 25, às 14h.

Setembro

Setembro pertence ao "Festival Oficina da Ópera", que chega à sua quarta edição consecutiva com três títulos e dois mentores — Pablo Maritano e Desirée Bastos. Voltado à formação de jovens criadores e à experimentação cênica, o festival ocupa tanto o palco principal quanto o Salão Assyrio. No palco grande, "Cavalleria Rusticana", de Pietro Mascagni, com direção cênica de Daniel Salgado e regência de Natalia Salinas (dias 11, 12 e 13). No Assyrio, "Cenas da Coroação de Poppea", de Cláudio Monteverdi, com direção de Ana Vanessa e regência de Jésus Figueiredo (dias 16 e 17); e "Il Campanello", de Gaetano Donizetti, com direção de Pedro Rothe e regência de Felipe Prazeres (dias 18, 19 e 20). O repertório atravessa séculos — do barroco ao verismo italiano —, e a proposta se consolida como uma das mais relevantes plataformas de visibilidade para a nova geração da ópera brasileira.

Outubro

Outubro reserva um dos espetáculos mais esperados: "Romeo e Julieta", com coreografia do bailarino e coreógrafo carioca Reginaldo Oliveira, que há mais de 20 anos vive na Europa e dirige o balé do Salzburger Landestheater, na Áustria. Em 2025, sua criação "Frida" — homenagem à pintora mexicana Frida Kahlo — estreou com todas as sessões esgotadas no Municipal. Reconhecido por trabalhos de forte carga emocional e narrativas construídas em torno de figuras históricas e mitológicas, Oliveira já apresentou versões de "Romeo e Julieta" no circuito internacional, incluindo produções em Salzburgo. A remontagem será apresentada pelo Ballet e pela Orquestra Sinfônica do Municipal, com regência de Tobias Volkmann e direção geral de Hélio Bejani, nos dias 7 a 11 de outubro.

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Giacomo Puccini, autor da centenária ópera 'Turandot' | Foto: Reprodução

Novembro

Em novembro, "Turandot", de Giacomo Puccini, chega ao Rio em homenagem ao centenário da ópera — estreada em 1926 no Teatro alla Scala de Milão, já após a morte do compositor, com final completado por Franco Alfano. A montagem com direção cênica de André Heller-Lopes, originalmente apresentada em 2018 no Theatro Municipal de São Paulo, reencena o drama ambientado em uma Pequim lendária, onde amor e morte caminham lado a lado. O espetáculo conta com os artistas da casa carioca e com solistas convidados, entre eles a soprano Eiko Senda. São sete récitas, de 13 a 22 de novembro, incluindo sessão do Projeto Escola Arte Educação no dia 17, às 14h.

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A personagem Clarinha de 'O Lago dos Cisnes' é interpretada por Pietra Rêgo, finalista do Prix de Lausanne 2026 | Foto: Daniel Ebendinger/Divulgação

Dezembro

O ano se encerra com "O Quebra-Nozes", de Tchaikovsky — tradição consolidada do Municipal, apresentado com o Ballet, o Coro Feminino e a Orquestra Sinfônica da casa, sob regência de Felipe Prazeres. A cada récita da temporada 2026, haverá ainda uma palestra gratuita sobre a obra encenada, com intérprete de Libras, antes do início do espetáculo. Ao longo do ano, o Theatro amplia seu alcance educativo com masterclasses gratuitas, visitas guiadas, visitas temáticas e oficinas de desenho, levando a experiência cultural para além de seus palcos.

SERVIÇO

TEMPORADA 2025 - THEATRO MUNICIPAL

Março a dezembro de 2026

Abertura oficial: 13/2, às 19h — "Grande Missa em Dó Menor", de Mozart

Praça Floriano, s/nº — Cinelândia

Programação completa: theatromunicipal.rj.gov.br e plataformas digitais