Por: Affonso Nunes

Alice comanda a 'Roda Caymmi'

Depois de consolidar-se como artista, Alice Caymmi agora se sente à vontade para trabalhar com o repertório do patriarca da família | Foto: Marcela Cury/Divulgação


Conhecido por seu palco intimista, o Manouche vem apostando em apresentações dominicais ao ar livre nos jardins da Casa Camolese. Prejudicado pelas chuvas de janeiro, o projeto "Manouche Lá Fora" retorna neste fim de semana com o show "Roda Caymmi", no qual a cantora e compositora Alice Caymmi revisita a obra do avô Dorival Caymmi com novos arranjos em formato de roda de samba.

Patriarca de um riquíssimo clã musical, Dorival Caymmi (1914-2008) construiu um repertório único que costurou elementos da cultura baiana, da música praieira e do cotidiano popular. Composições como "Maracangalha", "Modinha para Gabriela", "Dora" e "Vatapá" estão no repertório selecionado por Alice, que sobe ao palco acompanhada por Alan Monteiro (bandolim), Rafael Malmith (violão de sete cordas) e Makley Matos, Edgar Araújo e André Vercelino na percussão.

Alice iniciou sua carreira discográfica em 2012 com o álbum autointitulado "Alice Caymmi", produzido por Flávio Mendes com direção artística da própria cantora. Dois anos depois, lançou "Rainha dos Raios" (2014), trabalho que a consolidou como uma das vozes mais expressivas de sua geração e rendeu reconhecimento em 2017 com o Prêmio da Música Brasileira pelo DVD ao vivo homônimo. Ao longo de mais de uma década de trajetória, a artista transita entre samba, bossa nova e sonoridades pop, num diálogo permanentes com as raízes da MPB mas sem se limitar. Essa maturidade artística lhe permite agora se debruçar sobre o repertório do avô com liberdade criativa e segurança interpretativa.

"Essa terceira geração da família precisa tomar conta desse legado", explica a cantora. "Agora, eu vou sem medo, pois já me afirmei individualmente como artista", completa.

Esse amadurecimento se reflete na forma como Alice aborda o material. A cantora demonstra segurança ao interpretar o repertório do avô justamente por ter estabelecido sua própria voz na MPB, sem depender do peso da dinastia a que pertence. É essa identidade consolidada que permite à artista honrar o sobrenome de forma orgânica, iluminando as composições com sua leitura pessoal sem comprometer a essência das canções originais.

Alice destaca a atemporalidade das composições do avô e expressa seu desejo de ampliar o alcance dessas canções entre o público mais jovem. Com arranjos que refletem sua individualidade, busca criar pontes entre as novas gerações e a obra do patriarca. "Quero levar a música dele para o meu público", diz.

SERVIÇO

ALICE CAYMMI - RODA CAYMMI

Manouche (Rua Jardim Botânico, 983)

22/2, às 18h

Ingressos: R$ 140 e R$ 70 (meia solidária com doação de 1kg de alimento não perecível ou livro para o Retiro dos Artistas)