Por: Affonso Nunes

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Tony Canto e Celso Fonseca com o produtor Max de Tomassi (centro) | Foto: Isabela Espindola/Divulgação

Celso Fonseca e Tony Canto celebram convergências entre dois gigantes da música popular do século 20 em álbum que revisita repertório de Tom Jobim e Domenico Modugno

Um diálogo musical entre os compositores Antônio Carlos Jobim e Domenico Modugno, referências fundamentais das músicas italiana e brasileira. Esse é o mote de "Jobim-Modugno" (Biscoito Fino), álbum no qual os músicos, cantores e compositores Celso Fonseca e Tony canto celebram clássicos dos mestres em versões ora originais, ora bilíngues. O projeto foi idealizado pelo produtor italiano Max De Tomassi.

Antônio Carlos Jobim é um dos pais da bossa nova, movimento que revolucionou a música brasileira. Pianista, compositor e arranjador, Jobim criou obras-primas como "Garota de Ipanema", "Wave", "Desafinado" e "Águas de Março", que se tornaram standards do jazz mundial.

Domenico Modugno foi cantor, compositor, ator e político. Modernizou a canção italiana. Seu maior sucesso, "Nel blu dipinto di blu" (mais conhecida como "Volare"), apresentada no Festival Eurovisão da Canção de 1958, tornou-se um fenômeno global e uma das músicas mais gravadas da história. Modugno inovou ao mesclar tradição mediterrânea com influências internacionais, quebrando padrões da música italiana de sua época.

As convergências entre Jobim e Modugno são grandes. Ambos nasceram em janeiro com apenas um ano de diferença, faleceram no mesmo ano de 1994 e transformaram radicalmente as tradições musicais de seus países. Jobim sofisticou o samba, Modugno modernizou a canção italiana.

Para Fonseca, o projeto caiu como uma luva. "Foi com grande alegria que recebi o convite para gravar o álbum 'Jobim-Modugno' com Tony Canto. Jobim é um dos meus compositores favoritos de todos os tempos, e Modugno é um grande compositor. Só o fato de ter feito 'Nel blu di pinto de blu' já o teria credenciado para ocupar lugar de grande importância no cancioneiro internacional, mas ele fez outras maravilhas. Isso o coloca ao lado do Tom. Tony Canto, por sua vez, é um grande intérprete, além de um compositor excelente, mais do que qualificado para participar de um projeto como esse. Foi um grande prazer gravar esse álbum com ele", destaca o músico carioca.

Celso Fonseca e Tony Canto possuem trajetórias artísticas similares. O italiano Tony Canto já havia lançado dois álbuns com harmonias e ritmos inspirados na música brasileira, com melodias tipicamente italianas. "Casa do Canto", seu disco mais recente gravado no Rio, trouxe um dueto com Celso Fonseca em "Parlami d'amore Mariu'", clássico da música italiana de 1932. O carioca Celso Fonseca, autor de "Slow Motion Bossa Nova" em parceria com Ronaldo Bastos, bossa influenciada por Jobim, também é admirador da música italiana, tendo feito uma leitura tipicamente brasileira para "La più bella del mondo".

Além dos dois artistas, o álbum conta com a participação da cantora Ana Vilela nos vocais de "Wave", e do músico Gabriel Grossi em "Fotografia", clássicos de Jobim. A ideia do produtor Max De Tomassi é montar um show baseado no repertório do álbum, celebrando esse encontro de tradições musicais.