Por: Affonso Nunes

Quatro décadas de muita harmonia

Zé Renato e Claudio Nucci seguiram trabalhando juntos em gravações e parcerias mesmo após a saída de Nucci do Boca Livre | Foto: Victor Soldano/Divulgação

Claudio Nucci e Zé Renato celebram os 40 anos do emblemático álbum 'Pelo Sim, Pelo Não' neste fim de semana no Rival

Amigos, parceiros e, como se isso fosse pouco, duas das mais belas vozes da MPB. É o caso de Claudio Nucci e Zé Renato, que se reencontram no palco do Teatro Rival Petrobras nesta sexta e sábado (23 e 24) para celebrar as quatro décadas de uma marco de suas carreiras, o "Pelo sim, pelo não", álbum lançado em 1985 pela CBS e que marcou definitivamente a trajetória dos dois cantores e compositores. O espetáculo reafirma uma amizade e parceria musical forjada ainda nos anos 1970, quando ambos fundaram o grupo vocal Boca Livre, em 1978, ao lado de David Tygel e Mauricio Maestro.

O Boca Livre foi um divisor de águas na música vocal brasileira, explorando arranjos sofisticados e harmônicos que dialogavam com a MPB, o jazz e a bossa nova. Daquele caldeirão criativo nasceu uma amizade duradoura entre Nucci e Zé Renato, que transbordaria neste trabalhos em parceria anos após a saída de Nucci do quarteto. Foi dessa cumplicidade que surgiu esse disco. Canções como a faixa-título, composição de Zé Renato, Claudio Nucci e Juca Filho, e "Papo de Passarim" tornaram-se parte permantente do repertório afetivo dos dois artistas.

Donos de timbres belíssimos que se encaixam com rara naturalidade, Nucci e Zé Renato construíram ao longo dessas quatro décadas uma identidade vocal única, em que as vozes se complementam e criam uma textura sonora inconfundível. É justamente essa química vocal que torna cada apresentação da dupla um momento especial.

Além das canções citadas, o repertório dessas duas noites no Rival passeia pela essência do álbum celebrado, trazendo clássicos como "A Hora e a Vez" e "Atravessando a Cidade", além de sucessos da trajetória conjunta no Boca como "Quem Tem a Viola", "Toada", "Acontecência", "Anima" ou "Sapato Velho", sucesso com o Roupa Nova e que tem Nucci vom um de seus autores. A apresentação também reserva espaço para novidades: duas canções lançadas em agosto de 2025, a inédita "A bandeira do Porvir", composição de Milton Nascimento e Márcio Borges, e "Eu Sambo Mesmo", de Janet de Almeida.

"Estar num palco com este repertório é como um filme passando em nossas cabeças. Um filme que diz respeito a essa trajetória que eu tenho percorrido e uma parte dela ao lado do Claudio e estar comemorando isso juntos é emocionante", destaca Zé Renato, mencionando que neste 2026 estará completando 70 anos de idade e 50 de carreira.

Claudio Nucci e Zé Renato demonstram que amizade e música, quando cultivadas com talento e dedicação, resistem ao tempo e se fortalecem.

SERVIÇO

CLAUDIO NUCCI E ZÉ RENATO - 40 ANOS (1985-2025)

Teatro Rival Petrobras (Rua Álvaro Alvim, 33, Cinelândia)

23 e 24 /1, às 19h30

Ingressos a partir de R$ 80