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Entre o samba e o semba

Ricardo Vilas se aproximou dos músicos da Banda Maravilha a partir de seus estudos acadêmicos | Foto: Divulgação

Por Affonso Nunes

Ricardo Vilas disponibilizou nas plataformas digitais o álbum "Ricardo Vilas & Banda Maravilha". O trabalho é o fruto de uma parceria que nasceu há mais de uma década durante sua pesquisa de doutorado sobre circulação musical entre Brasil e Angola.

O encontro entre o músico brasileiro e os integrantes da Maravilha aconteceu em 2012, quando Ricardo viajou a Angola para desenvolver sua tese acadêmica. "Angola, para nós brasileiros, é a África mais próxima. Essa conexão sempre me interessou e me atraiu, a ponto de dedicar minha pesquisa acadêmica ao estudo da Música Popular Angolana e de seus pontos de encontro com a música brasileira", explica o artista.

O álbum reúne 12 faixas que misturam composições inéditas e autorais, contando com participações especiais de Dionísio Rocha na faixa "Lembra", Filipe Zau em "Amigo Irmão", além de Nilze Carvalho e Hudson Santos, também em "Amigo Irmão". Essas colaborações contribuíram para criar o que Ricardo define como "um verdadeiro diálogo musical entre Angola e Brasil".

Formada em 1993 e liderada pelo baterista Marito Furtado, a Banda Maravilha já havia colaborado com Ricardo em seu álbum anterior, "Canto de Liberdade", de 2019, que incluía duas músicas executadas pelo grupo angolano. A ideia de um álbum inteiro surgiu naturalmente dessa parceria consolidada. "Quando comentei com Marito sobre a ideia de gravar um álbum inteiro, ele topou na hora e criou todas as condições para que pudéssemos gravar nos Estúdios Rádio Vial, em Luanda", conta Ricardo.

As gravações foram realizadas em Luanda no ano passado, despertando grande interesse do público angolano e rendendo extensa cobertura em jornais, programas de TV e rádio. O processo foi finalizado até fevereiro, com mixagem e masterização concluídas em março, culminando no lançamento digital acompanhado de uma edição física em CD.

"Agora que o projeto está ganhando as ruas, fico muito feliz de ver que conseguimos realizar um verdadeiro encontro musical entre Angola e Brasil. Mostramos tudo o que compartilhamos, em termos musicais, e também as particularidades que nos diferenciam, mas que dialogam de forma harmoniosa", celebra Ricardo.