Por: Affonso Nunes

Mulheres que têm algo a dizer

Adélia Prado é uma das autoras que terão trechos de sua obra apresentados durante a oficina | Foto: Divulgação

Centro Cultural Hélio Oiticica recebe projeto que destaca grandes vozes femininas da literatura brasileira

O Centro Cultural Hélio Oiticica recebe neste sábado (28) o projeto "Letras Femininas da Literatura", uma programação que mergulha na obra de autoras fundamentais da literatura brasileira por meio de leituras dramatizadas. O encontro reúne textos de Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Carolina Maria de Jesus e Adélia Prado, interpretados pelas atrizes Cristina Pereira, Sura Berditchevsky, Dja Marthins e Biancka Fernandes.

O projeto percorre mais de um século de produção literária feminina — de Julia Lopes de Almeida, no fim do século XIX, a nomes contemporâneos — e articula literatura, teatro e reflexão crítica. Cada encontro contará com a participação de pesquisadoras e convidadas especiais, como Ana Prado, filha de Adélia Prado.

Clarice Lispector (1920-1977) é uma das mais destacadas escritoras do modernismo brasileiro. Nascida na Ucrânia e radicada no Brasil, obteve reconhecimento literário já aos 23 anos com "Perto do Coração Selvagem" (1943), romance que abriu novas tendências na prosa brasileira com seu fluxo de consciência introspectivo. Obras como "A Paixão Segundo G.H." (1964) e "Água Viva" (1973) consolidaram sua reputação como autora de profunda investigação psicológica e linguagem inovadora.

Lygia Fagundes Telles (1918-2022), conhecida como a "Grande Dama da Literatura Brasileira", foi uma das nossas mais aclamadas escritoras. Sua carreira começou em 1944 com "Praia Viva" e incluiu obras como "Ciranda de Pedra" (1955) e "As Meninas" (1973), romances que exploram a complexidade psicológica de personagens femininos e as transformações sociais do Brasil. Trabalhou também como advogada, sendo uma das poucas mulheres em sua turma de direito.

Carolina Maria de Jesus (1914-1977) é autora de "Quarto de Despejo" (1960), diário que documenta a vida em uma favela de São Paulo e se tornou referência na literatura brasileira por sua perspectiva única sobre marginalidade e pobreza. Seu trabalho trouxe visibilidade a narrativas frequentemente silenciadas.

A mineira Adélia Prado, hoje com 90 anos, é conhecida por sua poesia que mescla o sagrado e o cotidiano, explorando temas de fé, amor e identidade feminina com linguagem acessível e profunda.

Segundo o idealizador do projeto, Rogerio Cavalcante e Castro, "a proposta é ampliar o reconhecimento da produção literária feminina no Brasil e criar um espaço de encontro entre literatura, teatro e pensamento crítico".

Para a atriz Cristina Pereira, a experiência também funciona como contraponto ao consumo superficial de conteúdo: "A oficina permite o contato mais profundo com as obras e reforça o valor da literatura em um cenário dominado por estímulos rápidos e, muitas vezes, pouco densos".

SERVIÇO

LETRA FEMININAS DA LITERATURA

Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica (Rua Luís de Camões, 68 — Praça Tiradentes) | 28/3, das 13h às 18h | Entrada franca