Affonso Nunes
Ovinho frisante vive um momento de forte ascensão no Brasil, acompanhando a busca do consumidor moderno por bebidas mais leves, refrescantes e versáteis. Com borbulhas delicadas e textura cremosa, tornou-se presença comum em brunches, festas ao ar livre e encontros informais. Sua pressão interna moderada — entre 1 e 2,5 atmosferas — o distingue dos espumantes tradicionais, resultando em sensação mais suave, com maior destaque para a fruta e acidez amigável
A produção segue diferentes caminhos. Muitos rótulos nascem da fermentação parcial interrompida antes do consumo total dos açúcares, preservando doçura residual. Outra técnica comum é o Charmat curto, uma segunda fermentação rápida em tanques que mantém baixa pressão e realça o frescor. Há ainda vinhos elaborados com adição controlada de CO2 enológico, prática regulamentada para rótulos jovens e acessíveis.
Os estilos variam. Frisantes brancos com uvas como Moscato e Glera exibem perfume floral e frutas brancas. Rosés apresentam morango, framboesa e nuances florais, ideais para tardes ao ar livre. Tintos frisantes, embora menos comuns, surpreendem pela suculência. Na Itália, o Lambrusco se destaca em versões secas e doces.
No Brasil, o frisante encontrou terreno fértil. Regiões como Serra Gaúcha, Campanha Gaúcha e Planalto Catarinense produzem frisantes de qualidade. Vinícolas como Casa Perini, Salton, Garibaldi, Miolo e Zanella apresentam rótulos consistentes e acessíveis, muitos feitos a partir de Moscato, Malvasia e Trebbiano. Esses vinhos se adaptam naturalmente ao clima tropical e à gastronomia brasileira, desde pratos leves com peixe até petiscos. O movimento de vinhos veganos também se reflete na categoria, ampliando o público interessado em rótulos mais transparentes.
O serviço adequado faz diferença. Frisantes brancos e rosés brilham entre 6 °C e 8 °C, enquanto tintos frisantes apresentam melhor equilíbrio entre 10 °C e 12 °C. Taças flûte preservam a efervescência. Uma vez aberto, deve ser consumido em até 48 horas.
Na mesa, o frisante demonstra versatilidade pouco comum. A acidez e as borbulhas limpam o paladar, tornando-o parceiro natural de canapés, queijos frescos, saladas e frutos do mar. Brancos e rosés acompanham peixes grelhados, ceviches e moquecas leves. Tintos frisantes harmonizam com pizzas, frango grelhado e carnes de churrasco. Versões aromáticas com leve dulçor casam com sobremesas à base de frutas frescas e cremes leves.
O crescimento da categoria reflete tendência global por vinhos mais descontraídos e adequados a diferentes ocasiões. Com oferta nacional cada vez mais diversa e tecnicamente bem elaborada, o frisante tornou-se opção natural para consumidores iniciantes e apreciadores experientes que buscam algo leve e prazeroso.